O Vasco da Gama deu um importante passo em sua reestruturação ao abrir um processo judicial para a venda de 90% de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro publicou um edital para a alienação da unidade produtiva isolada (UPI Equity), que representa a maior parte das ações da nova SAF do clube.

A proposta inicial prevê um investimento de pelo menos R$ 650 milhões nos próximos cinco anos, que será destinado a melhorias no elenco principal, investimentos no centro de treinamento e aprimoramento da infraestrutura das categorias de base.

Conforme informações divulgadas anteriormente, um acordo com Marcos Lamacchia está em andamento e pode resultar em um total de mais de R$ 2 bilhões em investimentos. O edital confirma a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., associada a Marcos Lamacchia, como o investidor âncora, que terá o direito de igualar qualquer proposta superior que possa surgir durante o processo.

Para que a venda seja concretizada, ainda será necessário cumprir diversas condições, incluindo a reorganização da SAF, acordos judiciais pendentes e a homologação final pela Justiça. A alienação judicial é um mecanismo legal utilizado para a venda forçada de ativos com o objetivo de quitar dívidas. No caso do Vasco, essa venda é parte de um plano maior de reestruturação.

O prazo final para a conclusão da operação está estipulado para 30 de setembro de 2026. A empresa já firmou um contrato vinculante com o clube e a SAF, garantindo que, caso outra proposta vença a disputa, a Almirante receberá uma compensação de R$ 50 milhões.

Entre as obrigações do novo investidor, estão previstas: um aporte exclusivo de R$ 500 milhões destinado somente ao futebol, um investimento de R$ 120 milhões no centro de treinamento ao longo de dez anos e R$ 30 milhões em melhorias para as categorias de base em um período de dois anos. Além disso, busca-se incentivos fiscais que podem totalizar R$ 150 milhões em uma década e a proibição de distribuição de dividendos aos acionistas durante dez anos, com a totalidade das receitas reinvestidas na operação.

O processo de venda será realizado por meio de propostas fechadas, sob a supervisão da Administração Judicial Conjunta. O investidor selecionado deverá realizar um aporte obrigatório de R$ 500 milhões, dividido em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC, entre 2026 e 2030.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original