Na última segunda-feira, o Vasco da Gama protocolou um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O objetivo é reverter a decisão que afastou Pedrinho e outros dois integrantes do Conselho de Administração da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), além de instaurar uma intervenção judicial no clube. Essa decisão foi tomada pela 4ª Vara Empresarial no dia 22 de junho.
No recurso, o clube argumenta que a intervenção representa uma interferência indevida na governança e solicita a suspensão imediata dos efeitos da decisão. O principal ponto apresentado é que as questões relacionadas ao controle societário e à governança da SAF já estão sendo analisadas na Câmara de Arbitragem da FGV, o que, segundo o Vasco, deveria ser o foro adequado para tais deliberações, e não a Justiça comum.
Além disso, o Vasco contesta o procedimento adotado pela Justiça ao conceder a tutela de urgência, afirmando que os administradores afastados não foram ouvidos previamente e que a decisão foi fundamentada em elementos que deveriam ter sido discutidos no contraditório, garantindo assim o direito de manifestação de todas as partes envolvidas.
Outro aspecto destacado no agravo é um relatório elaborado pela interventora Samantha Mendes Longo, que foi entregue à Justiça juntamente com sua carta de renúncia. O Vasco alega que esse documento contradiz os argumentos utilizados para justificar a intervenção, pois reconhece a existência de uma gestão adequada na SAF.
O clube também aponta que a intervenção gerou uma crise institucional, citando a renúncia de Samantha Mendes Longo, a saída coletiva dos membros do Conselho Fiscal da SAF e os pedidos de desligamento de vice-presidentes. As renúncias ocorreram após a decisão que instituiu a intervenção, e o Vasco argumenta que elas não são eventos isolados, mas evidenciam que o ambiente institucional se tornou insustentável para os órgãos que a medida pretendia fortalecer.
O agravo menciona que a intervenção resultou em uma “paralisia estrutural da governança”, o que vai contra o objetivo declarado de fortalecer os mecanismos de controle e fiscalização da empresa. O próximo passo agora será a análise do pedido de efeito suspensivo pelo Tribunal de Justiça do Rio, que decidirá se mantém ou derruba provisoriamente a intervenção na SAF. Após essa decisão, a 777 Carioca será intimada a apresentar sua defesa antes do julgamento do mérito do recurso.
Vale ressaltar que o processo principal seguirá sob a condução de um novo juiz, após a declaração de suspeição da juíza que proferiu a decisão original.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original