Um relatório recente do administrador judicial sobre a situação financeira do Vasco da Gama indica que o clube enfrentou uma "forte pressão sobre o fluxo operacional" durante o mês de junho. O documento, divulgado na última segunda-feira, faz parte do processo judicial em curso no Rio de Janeiro.

A publicação do relatório foi uma determinação judicial, que havia imposto uma intervenção na SAF do Vasco em junho, mas posteriormente restabeleceu o presidente Pedrinho ao comando da empresa. Para atender às exigências da Justiça, o Vasco apresentou demonstrativos financeiros ao administrador judicial, que elabora relatórios mensais sobre a situação financeira da SAF.

Na análise mais recente, o escritório responsável pela administração judicial apontou que as finanças do clube sofreram uma "deterioração significativa" ao longo do mês. O Vasco iniciou junho com R$ 20 milhões em caixa, mas terminou o mês com apenas R$ 9 milhões, quantia que foi utilizada no início de julho. Isso levou à necessidade de um empréstimo DIP de R$ 40 milhões com um empresário que está em negociações para adquirir a SAF.

O relatório destaca um cenário de restrição de liquidez e a dependência de capital externo para manter as operações do clube. As receitas do Vasco provêm principalmente de direitos econômicos, direitos de TV, bilheteiras, patrocínios e sócio-torcedor. Março foi o mês de maior receita, com R$ 151,364 milhões, em grande parte devido à venda do jogador Rayan para o Bournemouth.

Apesar de receber R$ 120 milhões à vista com a venda de Rayan, o Vasco não conseguiu manter mais de R$ 30 milhões em caixa no início de nenhum mês. As principais despesas do clube estão relacionadas ao futebol e aos custos operacionais.

O relatório também menciona que não houve atualizações significativas sobre litígios societários durante o período analisado. As pendências com entidades esportivas continuam em monitoramento, com parte dos débitos incluídos no Quadro Geral de Credores e outros sendo pagos conforme acordos contratuais.

Quanto à movimentação financeira, o relatório indica que não houve saques na SAF, e que a circulação de dinheiro se limitou à venda de ingressos, que agora conta com controle de acesso por reconhecimento facial, em conformidade com um Termo de Ajustamento de Conduta. No clube social, a movimentação financeira é restrita às atividades esportivas e recreativas, com depósitos realizados ao final de cada mês.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original