As tratativas para a venda da SAF do Vasco estão progredindo, mas ainda existem divergências entre o clube e Marcos Lamacchia, filho do empresário José Roberto Lamacchia e enteado de Leila Pereira. A diretoria do Vasco busca garantir que as receitas obtidas com vendas de jogadores sejam reinvestidas integralmente no futebol, uma exigência que não é aceita pelo investidor.

O clube deseja que os recursos oriundos de transferências sejam utilizados exclusivamente para a aquisição de novos atletas ou para melhorias no elenco, seja por meio de renovações contratuais ou aperfeiçoamentos. No entanto, Lamacchia defende que o capital gerado deve ser alocado conforme a necessidade, sem a imposição de restrições específicas.

Apesar desse impasse, que envolve apenas alguns pontos cruciais do acordo, as conversas entre os representantes do Vasco e de Lamacchia ocorrem com frequência, quase semanalmente. O investidor acredita que, sem a possibilidade de utilizar os recursos das vendas para seus próprios investimentos, o valor total da negociação, estimado em mais de R$ 2 bilhões, será reduzido.

Recentemente, o presidente do Vasco, Pedrinho, se reuniu com Lamacchia, e as partes consideram que houve um avanço significativo nas negociações. Os entraves que permanecem são vistos como normais, dada a complexidade do contrato. Todos os envolvidos estão otimistas quanto à possibilidade de encontrar um acordo em breve.

O próximo passo será a assinatura do memorando de entendimento (MoU), que formalizará a intenção de compra da SAF do Vasco. Há expectativas de que isso ocorra ainda em maio, embora o clube adote uma postura cautelosa em relação a prazos.

Já existe um consenso sobre diversos compromissos de investimento que serão exigidos em várias áreas do clube, incluindo transferências de jogadores, folha de pagamento, infraestrutura do centro de treinamento, fluxo de caixa e até mesmo a dívida do clube, que será mantida pelo novo investidor, conforme o plano de recuperação judicial.

Embora o Vasco ainda não tenha se pronunciado oficialmente sobre o acordo, Pedrinho tem demonstrado confiança nas últimas aparições públicas, acreditando que Lamacchia fará investimentos além do mínimo estipulado. O acordo prevê a compra de 90% da SAF do clube.

Atualmente, a distribuição das ações da SAF do Vasco é a seguinte: 30% pertencem ao clube, 31% estão sob controle da 777, que adquiriu esses ativos desde 2022, e 39% estão sob a gestão do Vasco por decisão judicial, mas estão em discussão na arbitragem.

Os investimentos previstos para a SAF devem ultrapassar R$ 2 bilhões, abrangendo a quitação de dívidas, continuidade do pagamento da recuperação judicial, obras de modernização no CT Moacyr Barbosa e investimentos mínimos na equipe a cada temporada.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original