Gilberto compartilha suas memórias ao representar o Cruzeiro na Copa do Mundo de 2010. A convocação foi inesperada, pois, embora tenha sido um ex-camisa 10, ele foi chamado para uma função que não fazia parte de sua rotina. Mesmo assim, partiu para a África do Sul em busca da tão sonhada sexta estrela para o Brasil. Desde então, nenhum jogador do Cruzeiro voltou a ser convocado para uma Copa do Mundo.

O jogador começou sua carreira como lateral-esquerdo, mas, ao longo do tempo, avançou no campo e se tornou meia. Durante sua segunda passagem pelo Cruzeiro, vestiu a camisa 10. Ele já havia defendido o clube em 1998, quando conquistou o Campeonato Mineiro. “O Cruzeiro foi o clube onde mais atuei, jogando em 1998 e depois retornando em 2009 até 2011. Sou muito grato ao clube e aprendi muito nesse período em Minas”, afirmou.

Antes de voltar ao Cruzeiro em 2009, Gilberto teve passagens pelo futebol alemão e inglês. No Tottenham, não conseguiu se firmar e viu suas chances de disputar um segundo Mundial diminuírem. Foi nesse contexto que o Cruzeiro o trouxe de volta, após a perda da Libertadores de 2009, e ele se destacou novamente, sendo convocado por Dunga para a Copa da África do Sul.

“Fomos campeões da Copa América em 2007 e fui para o Tottenham com o objetivo de crescer profissionalmente. Como não tive um bom desempenho, decidi voltar ao Brasil para recuperar a possibilidade de disputar a Copa de 2010”, recordou.

Gilberto ganhou a oportunidade de vestir a camisa 10 do Cruzeiro, assumindo um papel de destaque no meio-campo. Ele ajudou a equipe a conquistar o vice-campeonato brasileiro, o que o colocou novamente em evidência para a Seleção. Na convocação, surpreendeu-se ao ser chamado para atuar na lateral esquerda, disputando a posição com Michel Bastos, que também havia jogado como meia.

“Minha posição de origem é lateral, então passei a maior parte da minha carreira atuando nessa função. As escolhas do treinador são sempre discutidas, e a polivalência é uma vantagem”, explicou.

A convocação gerou algumas dúvidas entre os torcedores, mas Gilberto acredita que isso faz parte do processo. “No Brasil, sempre haverá questionamentos sobre as convocatórias. O treinador escolhe os que considera os melhores no momento”, comentou.

Em 2010, ele teve uma nova chance de ser campeão do mundo, especialmente após a frustração em 2006. Aos 34 anos, já pensava em encerrar sua carreira, o que se concretizaria dois anos depois. “É um privilégio representar o país em uma Copa do Mundo, e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade”, destacou.

Na Copa de 2010, Gilberto teve poucas oportunidades em campo, atuando apenas nas oitavas de final contra o Chile e nas quartas de final, onde o Brasil foi eliminado pela Holanda. “É frustrante não ter conseguido vencer, mas me sinto privilegiado por ter representado o Brasil em duas Copas do Mundo”, afirmou.

Gilberto aposentou-se em 2012, deixando um legado vitorioso, incluindo conquistas como a Copa das Confederações e a Copa América. Embora não tenha conseguido o título mundial, ele considera que vestir a camisa da Seleção valeu a pena. “Já pensava na aposentadoria, e não ter vencido em 2010 pesou na decisão, pois sabia que não teria mais condições de jogar uma Copa no Brasil”, concluiu.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original