Uma semana se passou desde que Samantha Mendes Longo renunciou ao cargo de interventora da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, após apenas seis dias no cargo, alegando problemas de segurança pessoal. Desde então, a situação na Justiça tem sido intensa. Na noite desta segunda-feira, o clube protocolou um agravo de instrumento com o objetivo de suspender a intervenção.

O próximo passo é a análise do pedido de efeito suspensivo pelo Tribunal de Justiça do Rio, que decidirá se mantém ou derruba temporariamente a intervenção. Este agravo é considerado crucial em um processo que já se arrasta desde a saída de Pedrinho do comando da SAF. Na semana passada, o Vasco já havia solicitado a revogação da decisão judicial, destacando que a intervenção gerou uma "paralisia estrutural" e uma crise institucional nos últimos dias.

No pedido, o clube solicita a suspensão imediata dos efeitos da decisão. Parte da defesa do Vasco se baseia em um relatório elaborado pela própria interventora, que foi protocolado junto à sua carta de renúncia. Neste documento, foi mencionado que existe uma "estrutura de gestão adequada para a condução da Companhia", embora haja algumas falhas pontuais na governança.

Um ponto relevante do relatório é a identificação de um quarto membro no Conselho de Administração da SAF, que se junta aos três conselheiros afastados. Este membro é Alexandre Cordeiro, vice-presidente de Relações Institucionais do Vasco, que foi empossado no Conselho em 10 de maio. Com a saída de Samantha, a Justiça determinou que a gestão da SAF fosse conduzida emergencialmente por Adriana Campos Conrado Zamponi e Alexandre Cordeiro.

Esse arranjo visa garantir a continuidade das atividades até que um novo juiz assuma o caso, o que deve ocorrer em breve. O Vasco argumenta que a intervenção prejudicou o funcionamento do Conselho de Administração, pois, com o afastamento de três conselheiros, apenas um membro permanece ativo, o que inviabiliza deliberações. Além disso, o clube está impedido de indicar novos integrantes devido à decisão judicial.

Recentemente, a juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, que havia nomeado a intervenção, declarou-se suspeita para seguir com o processo após identificar fatos que comprometem sua permanência no caso. Em um despacho posterior, o juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira também se declarou impedido de julgar a questão. O processo será transferido para a 6ª Vara Empresarial, que decidirá os próximos passos.

Paralelamente, o Conselho de Beneméritos convocou uma reunião com a diretoria administrativa na última sexta-feira, com a presença de Pedrinho, para discutir a situação jurídica do clube. O presidente do Conselho afirmou que o encontro resultou em uma "união institucional", mas também enfatizou a necessidade de transparência nas negociações relacionadas à venda do futebol do clube. O Vasco alega que a intervenção prejudicou negociações importantes durante a janela de transferências e dificultou a conclusão da venda da SAF para Marcos Lamacchia. O clube enfrenta um orçamento restrito e busca resolver a instabilidade judicial para permitir a chegada de um novo investidor.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original