O cenário político do Vasco da Gama ganhou novos contornos com a oficialização da candidatura de Sérgio Frias à presidência do clube. Associado ao grupo "Casaca!", Frias se junta à disputa como o terceiro candidato, competindo diretamente com o atual presidente Pedrinho e Pedro Strozenberg. Diferentemente dos demais, Sérgio Frias não se uniu a Strozenberg, que é visto como oposição a Pedrinho. Vários grupos tradicionais, como "Identidade Vasco", "Fuzarca" e "Arquiba", além de quatro novos grupos opositores, se aliaram a ele.
Aos 56 anos, Frias possui uma extensa carreira nos bastidores do Vasco. Sócio há 34 anos e benemérito por nove, ele é conselheiro do clube há 25 anos, exceto entre agosto de 2011 e novembro de 2014. Já ocupou a vice-presidência do Conselho Deliberativo e foi candidato à presidência em 2020, além de ter concorrido como vice em 2023. Formado em Direito e Gestão Esportiva, também se dedica à pesquisa, comunicação e leciona na UERJ.
Ao justificar sua candidatura, Sérgio Frias ressaltou a importância de manter o clube forte e vigilante, especialmente após a transferência do controle do futebol para um novo investidor. Ele expressou preocupação com as diretrizes institucionais e os riscos associados às recentes mudanças no estatuto: "Sou candidato porque alguém precisa proteger o Vasco. O futebol agora tem um novo controlador e queremos que dê certo. Mas o clube continua existindo, com seu patrimônio, sua história e precisa estar preparado para qualquer cenário, incluindo os previstos pela reforma do estatuto, como a possibilidade de extinção. O Vasco é eterno e nosso papel é garantir que continue sendo".
Frias integrou a gestão do clube no triênio de 2015 a 2017, período que incluiu conquistas no Campeonato Carioca, um rebaixamento no Brasileirão em 2015 e a classificação para a Libertadores em 2017. Ele criticou a atual diretoria em relação ao investidor da SAF e prometeu uma cobrança rigorosa por resultados: "A direção do Vasco afirmou que há dinheiro infinito e que os valores do contrato são irrelevantes. Portanto, vamos exigir um crescimento igualmente infinito do futebol. Não aceitamos discursos sem compromisso com títulos e vamos mobilizar a torcida para exigir resultados proporcionais às expectativas criadas".
Sobre o futuro do clube, o candidato enfatizou que a associação deve ter independência financeira e um papel relevante na relação com o acionista majoritário da SAF. Entre suas propostas, estão o fortalecimento dos esportes olímpicos e amadores, a valorização dos naming rights, a modernização da Colina Histórica e a preservação do acervo e da memória do clube: "Precisamos olhar para frente. Como acionista minoritário, o Vasco deve manter um bom relacionamento com quem detém a maioria das ações, mas também se reestruturar e permanecer forte, sem depender da vontade alheia. Um clube institucionalmente robusto é fundamental para o futebol, assim como um futebol forte é essencial para o clube".
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original