O São Paulo definiu a criação de uma Comissão de Análise de Contrato, sob a liderança do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres. A medida visa avaliar o acordo com a Ticketmaster, que foi escolhida para gerenciar a venda de ingressos no Morumbi.
A comissão, composta pelos conselheiros Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha, atuará com urgência para elaborar um parecer sobre o contrato, considerado crucial para a diretoria do clube, que precisa arrecadar R$ 180 milhões até o final de 2026. O presidente Harry Massis já havia cobrado a votação do Conselho em um áudio vazado.
Olten Ayres informou que recebeu o documento na última quinta-feira e também um e-mail de representantes da NewC, concorrente da Ticketmaster, questionando a condução do processo licitatório. Essa manifestação levou à formação da comissão para investigar as alegações.
O Country Manager da NewC, Cesar Augusto Sbrighi, apresentou questionamentos sobre a concorrência, afirmando que sua empresa não foi convidada para participar do processo inicialmente e que tomou conhecimento da oportunidade por meio do mercado. A NewC manifestou interesse em 13 de abril, mas só obteve autorização para participar no dia 24 do mesmo mês, quando Eduardo Toni ainda era diretor de marketing do São Paulo.
Após um mês, a NewC foi convidada a apresentar sua proposta, mas alegou que o material de referência estava desatualizado. Sbrighi destacou que a exigência de oferecer camarotes corporativos era um item importante na avaliação, mas dependia de condições comerciais a serem definidas posteriormente.
A NewC estruturou uma nova proposta financeira de aproximadamente R$ 500 milhões, em parceria com a ANGA Asset e com suporte jurídico da Demarest Advogados, que inclui uma antecipação de R$ 90 milhões. Após reuniões, o clube demonstrou interesse, mas não respondeu a um e-mail enviado pela NewC com informações complementares.
Com a nova gestão de marketing, o São Paulo enviou um e-mail à NewC, mas com conteúdo que Sbrighi considerou desconectado das discussões anteriores. Informações da imprensa indicavam que o clube já estava elaborando o contrato com a Ticketmaster, o que levou Sbrighi a concluir que a empresa escolhida era a Ticketmaster.
A NewC questiona a forma como o processo foi conduzido e afirma que sua proposta não foi devidamente analisada. O São Paulo, por sua vez, argumenta que a proposta da NewC nunca foi formalizada e que a Ticketmaster apresentou as melhores condições.
O clube também encomendou um parecer jurídico sobre os riscos do contrato com a Ticketmaster, que apontou baixo risco para o São Paulo. O contrato prevê a possibilidade de rescisão unilateral sem multa, caso a Ticketmaster enfrente problemas legais no Brasil.
A proposta da Ticketmaster inclui a antecipação de R$ 110 milhões em 45 dias após a assinatura, com devolução em cinco anos e taxa de juros atrelada ao CDI. Além disso, a empresa pagará R$ 30 milhões pela gestão do camarote 29A e R$ 6 milhões para a reforma do Museu São Paulo.
A Ticketmaster também ficará responsável pela gestão do sócio-torcedor, o que deve resultar em uma operação mais econômica para o clube. A taxa de administração para a venda de ingressos será de até 10%, enquanto a do sócio-torcedor será de 8% por associado. O contrato já foi aprovado pelo Conselho de Administração e aguarda votação no Conselho Deliberativo para se tornar oficial.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original