O São Paulo Futebol Clube apresentou uma contestação na Justiça em resposta ao processo movido por Julio Casares, ex-presidente do clube. Casares alega a 'inexistência de gestão temerária', mas os advogados do São Paulo rebateram suas afirmações, considerando-as como 'alucinações'.

No documento, o clube expressou sua indignação em relação às alegações de Casares, destacando que ele ignora seus próprios atos. Segundo o parecer da Comissão de Ética, Casares admitiu ter utilizado o cartão corporativo do clube para despesas pessoais, incluindo vestuário, restaurantes e até cuidados com animais de estimação.

Além disso, o São Paulo ressaltou que, durante a presidência de Casares, houve movimentações financeiras significativas que não foram adequadamente documentadas, o que levou a auditoria independente a emitir ressalvas sobre saques não comprovados.

Ainda na resposta, o clube afirmou que Casares tenta transferir a responsabilidade por suas ações a terceiros, chamando a ação judicial de 'desleal e traiçoeira'. O São Paulo também informou que o processo já foi encerrado internamente, resultando na expulsão do ex-presidente, embora ele continue sendo investigado nas esferas Civil e Criminal.

Julio Casares ingressou com o processo em 10 de setembro, alegando ter sido vítima de uma 'trama política' e buscando a declaração de inexistência de gestão temerária. Ele foi expulso do clube com base em investigações que apontaram irregularidades em sua gestão entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026.

O relatório da Comissão de Ética revelou que cerca de R$ 7 milhões em saques não tinham documentação que comprovasse sua origem e destino. Casares defende que a responsabilidade por explicar esses saques não era sua e que nunca foi questionado sobre isso por um diretor do clube.

Em cinco anos, foram sacados R$ 11,05 milhões das contas do São Paulo, sendo que R$ 9,3 milhões foram retirados entre 2021 e 2024. Casares argumenta que esses valores representam uma fração mínima do total movimentado pelo clube e que foram utilizados para pagamentos a atletas e despesas promocionais.

O ex-presidente também se defendeu das críticas sobre os gastos no cartão corporativo, que totalizaram R$ 1 milhão, e que incluíram despesas em estabelecimentos de luxo. Ele afirma que a devolução de mais de R$ 560 mil ao clube demonstra boa-fé e não configura dolo ou culpa grave.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original