A SAF Botafogo anunciou nesta quinta-feira a protocolização de um pedido de recuperação judicial, após já ter sido beneficiada por uma medida cautelar no final de abril que suspendeu a execução de suas dívidas. Este é o primeiro momento em que a SAF critica abertamente a gestão de John Textor, ex-proprietário da entidade.
No comunicado, o Botafogo destacou que a decisão de buscar a recuperação judicial foi motivada por um "grave cenário financeiro", que inclui riscos de sanções da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e restrições severas de caixa.
A nota também menciona que a Eagle Football, acionista majoritária da SAF, contribuiu para um "forte processo de descapitalização", com mais de R$ 900 milhões que deixaram de ser repassados ao clube. O Botafogo responsabiliza Textor, que foi afastado da gestão em 23 de abril por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas.
O comunicado ressalta que a condução da Eagle Football e de Textor demonstra um "absoluto descompromisso" com a estabilidade financeira da SAF, o que agravou a crise do clube e levou à necessidade de um pedido de recuperação judicial.
A dívida total da SAF Botafogo é de aproximadamente R$ 2,5 bilhões, sendo cerca de R$ 400 milhões em dívidas tributárias. A recuperação judicial abrange um passivo de aproximadamente R$ 1,286 bilhão, mas nem toda a dívida pode ser renegociada nesse processo.
Durante uma Assembleia Geral Extraordinária, a SAF nomeou Eduardo Iglesias como novo diretor-geral, substituindo Durcesio Mello, que assumiu interinamente após a saída de Textor.
A SAF Botafogo enfatizou que a recuperação judicial é essencial para proteger o clube, garantir o cumprimento de suas obrigações e assegurar a continuidade do projeto esportivo. A medida visa proporcionar um ambiente de estabilidade e supervisão judicial, permitindo a reestruturação das finanças da entidade.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original