A questão sobre quanto cada clube da Série A do Campeonato Brasileiro gasta com salários é frequentemente debatida entre torcedores e especialistas. Muitas vezes, ouvimos que um time 'gasta muito e joga pouco' ou que, pelo valor do elenco, deveria estar disputando títulos. Mas, afinal, qual é a realidade dos gastos salariais?

O site ge investigou essa questão, mas a resposta não é tão simples. As associações e as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) não costumam divulgar de maneira padronizada os valores gastos exclusivamente com salários. Além disso, os dados disponíveis nem sempre permitem uma comparação direta entre os clubes.

Por exemplo, o Palmeiras apresenta balancetes mensais que indicam um custo de cerca de R$ 45 milhões por mês para o departamento de futebol. No entanto, alguns dirigentes contestam esse número, afirmando que a folha salarial real gira em torno de R$ 30 milhões, pois o balanço inclui premiações e outras despesas. A situação é semelhante no Bragantino, que informou um custo total de R$ 314 milhões para o departamento de futebol, mas membros da direção alegam que a folha salarial está abaixo de R$ 10 milhões.

Apesar das imprecisões, o ge conseguiu elaborar um ranking aproximado dos gastos salariais dos clubes da Série A. Assim como na classificação do campeonato, o Flamengo lidera a lista, enquanto a Chapecoense ocupa a última posição.

Folha salarial dos clubes da Série A:

1 - Flamengo: R$ 50 milhões/mensais
2 - Palmeiras: R$ 30 milhões
3 - Corinthians: R$ 30 milhões
Cruzeiro: R$ 30 milhões
5 - Atlético-MG: R$ 27 milhões
6 - Santos: R$ 25 milhões
7 - Bahia: R$ 22 milhões
8 - Internacional: R$ 20,5 milhões
9 - Fluminense: R$ 20 milhões
Grêmio: R$ 20 milhões
11 - São Paulo: R$ 18 milhões
12 - Vasco: R$ 16 milhões
13 - Botafogo: R$ 15 milhões
14 - Athletico-PR: R$ 14 milhões
15 - Bragantino: R$ 10 milhões
Remo*: R$ 10 milhões
17 - Vitória: R$ 9 milhões
18 - Coritiba: R$ 8 milhões
19 - Mirassol: R$ 6 milhões
20 - Chapecoense: R$ 3,8 milhões

O Flamengo, que já investiu mais de R$ 430 milhões em contratações neste ano, possui a maior folha salarial do país. Jogadores como Arrascaeta e Jorginho têm vencimentos em torno de R$ 3 milhões mensais, enquanto outros, como Saúl e Lucas Paquetá, recebem cerca de R$ 2 milhões. O clube carioca busca alcançar R$ 3 bilhões em faturamento até 2030, o que pode aumentar ainda mais os gastos salariais.

O Palmeiras também tem elevado seus gastos, especialmente com a chegada de reforços significativos, como Andreas Pereira, Vitor Roque e Paulinho. Especula-se que os salários de Andreas sejam os mais altos, em torno de R$ 2,6 milhões mensais.

Por sua vez, o Cruzeiro, que se tornou SAF recentemente, viu seus gastos com salários crescerem 72% entre 2024 e 2025, totalizando mais de R$ 362 milhões. O clube conta com três dos salários mais altos do Brasil, todos na faixa de R$ 3,5 milhões.

O Santos, em situação financeira delicada, tem Neymar como o jogador mais bem pago do país, recebendo R$ 4,14 milhões. O clube também aumentou seus gastos com a chegada de novos atletas, apesar das dificuldades financeiras que enfrenta.

É importante ressaltar que os números apresentados são aproximados e podem variar, já que muitos jogadores recebem bônus por desempenho e conquistas. O Mirassol, que teve um desempenho notável na temporada passada, viu sua folha salarial aumentar 50%, mas ainda enfrenta dificuldades nesta temporada.

Os gastos com salários não necessariamente refletem a posição na tabela, exceto em casos extremos. O Flamengo, que lidera em gastos, também está na ponta do campeonato, enquanto a Chapecoense, com os menores investimentos, está na última colocação. Clubes como Internacional e Grêmio, que possuem folhas salariais elevadas, correm o risco de rebaixamento.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original