Rafael Marques, conhecido por sua passagem marcante pelo Palmeiras e Botafogo, iniciou sua trajetória como treinador em 2026, assumindo o comando do Primavera, recém-promovido à elite do Campeonato Paulista.
O desempenho da equipe foi satisfatório, garantindo a permanência na divisão A1 e até uma disputa por uma vaga no mata-mata. O time também se classificou para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2027 e avançou em uma fase da Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Ceará. Rafael comentou sobre a situação: “A gente brinca que acabou caindo no colo. Não foi planejado assim”, disse em entrevista ao ge.
O ex-jogador chegou ao Primavera em 2022, quando já se aproximava da aposentadoria. Convidado por seu empresário, Nenê Zini, para atuar como auxiliar técnico, Rafael decidiu jogar na Copa Paulista para facilitar sua transição. “Não precisaria jogar muito, mas seria líder no vestiário, como um treinador, só que dentro do campo”, explicou.
Em 2023, Rafael foi oficializado como auxiliar fixo e, em 2025, fez parte da comissão técnica que levou o Primavera à primeira divisão do Paulista. Com a saída do treinador Fernando Marchiori para o Caxias, o clube decidiu efetivá-lo como técnico. “Aqui a gente tem pés no chão, é bem simples, mas muito bem feito. O trabalho evoluindo a cada ano e acaba que os próprios jogadores falam: tem que ser o Rafa, porque ele está aqui já há quatro anos”, destacou.
Na classificação do Estadual, o Primavera terminou em 12º lugar, com duas vitórias, dois empates e quatro derrotas, sendo o segundo melhor ataque da fase, com 14 gols, empatado com o Palmeiras e atrás apenas do Novorizontino, que anotou 16. Rafael expressou satisfação com os resultados: “Dentro dos objetivos, a gente conseguiu o que a gente queria. Poderíamos ter ido mais longe, mas esse é um gosto de que o trabalho está no caminho certo.”
Rafael também comentou sobre sua inspiração no trabalho: Oswaldo de Oliveira, com quem teve a oportunidade de trabalhar. Ele lamentou a polêmica envolvendo o treinador e Emerson Leão, que criticaram a valorização de treinadores estrangeiros no Brasil. “Achei uma covardia o que fizeram com Oswaldo. A gente pode ter treinador estrangeiro no Brasil, a gente evolui com eles”, refletiu.
Um dos episódios mais marcantes da carreira de Rafael foi uma discussão com Cuca, seu ex-treinador, após uma vitória sobre o Coritiba em 2016. Ele esclareceu que a situação foi resolvida rapidamente e que não havia problemas entre eles. “Com o Cuca foi coisa de vestiário. Ele também é uma baita referência como treinador”, disse.
Rafael, que se tornou palmeirense devido à sua história no clube, falou sobre a possibilidade de enfrentar o Palmeiras como adversário no futuro. “Sou profissional. É uma babaquice que a gente tem dentro da nossa cultura. Queria ter classificado agora no Paulista para poder enfrentar o Palmeiras lá dentro”, afirmou.
Após uma passagem pelo Cruzeiro, Rafael enfrentou desafios em sua carreira, que o ajudaram a se preparar para a função de treinador. “Dificilmente você consegue manter a carreira toda ganhando um salário alto. Sempre fui um cara muito pé no chão”, comentou.
Agora, como técnico do Primavera, Rafael busca transmitir sua experiência aos atletas, mas com cautela. “Eu evito falar vai: 'quando eu jogava, fazia isso'. Não posso deixar de dar exemplos, mas é um cuidado que ex-jogadores têm que tomar”, destacou.
Após sua primeira experiência no comando, Rafael considera que o resultado foi positivo e expressou o desejo de continuar sua trajetória no futebol. “Quero como treinador passar o que eu fui, como atleta. Vou procurar sempre fazer isso”, finalizou.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original