O Corinthians, após vencer o Bragantino, está cada vez mais próximo do G-5 do Brasileirão. O depoimento do presidente Osmar Stabile marcou um dos primeiros passos do inquérito civil que investiga a possibilidade de intervenção judicial no clube. Este procedimento deve se estender por pelo menos mais dois meses, com o objetivo de avaliar se a diretoria atual e os órgãos internos estão aptos a enfrentar a crise que o Corinthians atravessa.

Após a oitiva de Stabile, realizada na última segunda-feira, outros membros que atuam no cotidiano do clube serão convocados para prestar depoimentos pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal. O conselheiro Leandro Cano, que também é juiz, já foi ouvido na sexta-feira anterior.

A intenção de ouvir o presidente logo no início da investigação era esclarecer questões sobre a gestão e as condições administrativas e financeiras do Corinthians, além de verificar as medidas adotadas em relação a situações envolvendo o clube e solicitar acesso a documentos adicionais.

A oitiva de Stabile durou cerca de três horas, um tempo considerado extenso pelo Ministério Público, devido à variedade de assuntos abordados e ao detalhamento das respostas fornecidas. Ele compareceu acompanhado de dois advogados e do diretor jurídico do clube, Pedro Soares. Os promotores ouviram as explicações, mas agora buscam acesso a documentos que possam corroborar as informações apresentadas. O clube se comprometeu a agir com transparência.

Independentemente dos eventos recentes no Corinthians, os promotores desejam entender se a estrutura atual do clube - incluindo a diretoria e os órgãos internos - é capaz de resolver os problemas existentes. Eles querem saber se as irregularidades estão sendo corrigidas, se há medidas para mitigar as dificuldades financeiras e se os órgãos internos estão cumprindo suas funções adequadamente, além de verificar se o clube está atendendo sua finalidade social como associação.

O inquérito não possui um prazo definido para conclusão, mas os promotores acreditam que não deverá ser finalizado em menos de dois meses, o que pode coincidir com as eleições do clube, agendadas para o final deste ano. Nas últimas semanas, os representantes do MP analisaram a documentação recebida desde a abertura do inquérito, em dezembro de 2025. A análise só foi possível a partir de maio deste ano, quando o Conselho Superior do MP negou um recurso do Corinthians e autorizou a continuidade da investigação.

Durante o período em que o inquérito estava paralisado, sócios do clube ingressaram com um pedido de intervenção judicial na Justiça. Este procedimento é independente da investigação no MP, mas os promotores estão acompanhando o caso. Em sua última manifestação à Justiça, eles defenderam a continuidade da ação judicial dos sócios, mas ainda não se pronunciaram sobre o mérito do pedido.

Conforme as conclusões do inquérito civil, o MP poderá solicitar uma ação civil pública para requerer a intervenção judicial na administração do clube ou propor um termo de ajustamento de conduta (TAC) para que o próprio Corinthians implemente as correções sugeridas pelos promotores. Embora o MP possa solicitar a intervenção judicial, cabe à Justiça decidir sobre a implementação dessa medida.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original