Franclim Carvalho foi oficialmente apresentado como o novo treinador do Botafogo. Uma carta divulgada na terça-feira por John Textor gerou movimentação nos bastidores do clube. No documento, o americano sugeriu um aporte de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 127 milhões) para o futebol alvinegro, investimento que estaria vinculado à emissão de novas ações da SAF. A proposta menciona uma empresa nas Ilhas Cayman, e o impasse entre a SAF e o clube social continua.
Conforme informações apuradas, o banco BTG Pactual, que atua como consultor financeiro do clube social, ainda não se manifestou sobre a nova proposta. Em decorrência disso, a diretoria do clube social não informou à SAF se pretende assinar os documentos necessários para o processo de capitalização.
A proposta de Textor consiste em um investimento de US$ 25 milhões, estruturado como um aporte de capital próprio (equity). Isso significa que a SAF do Botafogo receberia o montante e, em troca, novas ações seriam emitidas. Textor afirma que o clube social manteria sua participação de 10% na SAF, e o investimento seria realizado em troca de ações ordinárias, que conferem direito a decisões empresariais.
A Eagle Bidco, que detém as ações e tem o fundo Ares como principal credor, ainda não deu seu consentimento por escrito para as mudanças propostas. Na carta, Textor menciona um Contrato de Compra e Venda (SPA) datado de 26 de janeiro de 2026, no qual a SAF Botafogo e a Eagle Bidco concordam com a transferência de cerca de US$ 40 milhões em créditos financeiros e uma participação majoritária de 90% nas ações.
Essa transferência está condicionada à aprovação de todas as partes envolvidas, incluindo a Ares. A Eagle Bidco é uma subsidiária da Eagle Football Holdings, com sede na Inglaterra, que possui os clubes da rede. Assim, a atual controladora do Botafogo venderia a SAF para a Eagle Football Group, uma empresa constituída nas Ilhas Cayman.
No que diz respeito ao investimento e à transferência das ações, o SPA estabelece que a Eagle Football Group se comprometeria a investir US$ 50 milhões em até cinco anos após a transferência das ações. Os US$ 25 milhões mencionados por Textor seriam a primeira parcela desse total. Além disso, a empresa nas Ilhas Cayman teria a responsabilidade de quitar os US$ 40 milhões em créditos até 31 de dezembro de 2026.
Embora a Eagle Bidco esteja sob administração judicial, fontes ligadas à SAF afirmam que a proposta de transferência para as Ilhas Cayman é juridicamente válida, desde que haja consentimento da Ares. A administração judicial da Eagle Bidco foi instaurada em março, após a data do documento inicial.
Textor solicitou ao clube social a assinatura de um documento relacionado à capitalização, enviado na última semana de janeiro. Ele busca a autorização para que o dinheiro emprestado pelos investidores GDA Luma e Hutton Capital, utilizado para resolver um transfer ban, possa ser convertido em participação acionária no futuro.
Se o clube social não assinar, os novos US$ 25 milhões poderão ser depositados como um empréstimo, o que não resultaria em uma nova divisão das ações da SAF, mas sim em um aumento da dívida. Para isso, seria necessária a aprovação da maioria no Conselho de Administração, assim como ocorreu com os recursos dos investidores GDA Luma e Hutton Capital. Na ocasião, Textor conseguiu a aprovação com a maioria dos votos, enquanto o ex-presidente Durcesio Mello se absteve.
Atualmente, fontes da SAF acreditam que o clube social poderia contestar a validade da dívida em um cenário de falência, levantando preocupações sobre a injeção de novos recursos como empréstimo e o risco de não recuperação do montante. O clube social, nos bastidores, parece inclinado a seguir o parecer do consultor financeiro, enquanto a SAF deseja que o clube assine o documento e encerre as negociações com a Ares. Fontes próximas a Textor indicam que, caso a Ares questione a validade da assinatura, o assunto poderá ser resolvido judicialmente.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original