O Fluminense, sob a presidência de Mattheus Montenegro, completa um ano de negociações com a Lazuli Partners visando a construção da proposta de compra da SAF do clube. A apresentação inicial do fundo ocorreu em 8 de setembro de 2025, durante uma reunião do Conselho Deliberativo que foi transmitida ao vivo.

Desde então, as discussões seguem em andamento, com o clube buscando aprimorar os termos da oferta, especialmente em relação ao valor do aporte inicial. Há expectativas de que uma proposta reformulada seja apresentada ainda este ano, possibilitando o início das conversas sobre a venda.

Fontes do mercado ouvidas pelo Globo Esporte consideram que o tempo de negociação é normal. Inicialmente, a expectativa era de que os avanços ocorressem logo após as eleições, mas o pleito acabou atrasando as discussões. Além disso, a espera pela publicação do balanço de 2025 também contribuiu para a lentidão no processo, que deve levar mais um mês para se concretizar.

Outro ponto em debate são as cláusulas do acordo de acionistas e governança, que visam proteger o clube durante a venda. Em relação à situação financeira, a diretoria do Fluminense tem conseguido honrar os salários e direitos de imagem dos jogadores. Embora haja atrasos de poucos dias em algumas ocasiões, os atletas são informados e os prazos costumam ser cumpridos.

Mattheus Montenegro comentou que a dívida do clube, que era de R$ 860 milhões em 2019, aumentou para R$ 1,05 bilhão, mesmo com a reestruturação das contas. O RCE, mecanismo criado pela Lei da SAF, tem sido fundamental para a reestruturação das dívidas, embora a alta taxa de juros do país dificulte a quitação.

A meta orçamentária do Fluminense para 2026 previa arrecadação de cerca de R$ 200 milhões com vendas de jogadores, mas o clube não alcançou esse valor, tendo realizado apenas a venda do volante Bernal por US$ 12 milhões. A conquista da Libertadores, que renderia um valor superior ao previsto, é vista como uma alternativa para compensar a baixa arrecadação.

Recentemente, o Fluminense recebeu uma advertência de grau mínimo da ANSREF por atrasos em pagamentos, reconhecendo o problema e afirmando que as questões já foram tratadas.

O clube fechou 2025 com uma receita recorde de mais de R$ 1 bilhão, impulsionada pela campanha na Copa do Mundo de Clubes, que gerou cerca de R$ 331 milhões. O presidente detalhou que, após descontar as premiações e pagamentos de dívidas, o valor restante foi utilizado para folha salarial e contratações.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original