O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público, solicitou esclarecimentos ao Corinthians a respeito da atuação do gerente operacional Fernando José da Silva. Ele é o foco de uma investigação sobre pagamentos que totalizam R$ 676 mil a uma empresa de segurança irregular.

Conserino tomou essa medida após a divulgação de que Fernando, conhecido como Nandão, continua vinculado ao clube, mesmo após o presidente Osmar Stabile ter negado publicamente sua função. Em resposta oficial, o Corinthians declarou que Fernando atuou como coordenador operacional do Clube Social entre setembro e outubro de 2025, sem mencionar trabalho anterior ou posterior.

Documentos obtidos revelam que Fernando solicitou à Polícia Militar escoltas para as delegações durante deslocamentos em São Paulo. Fontes confirmaram que ele é responsável pela segurança do CT Joaquim Grava e que, até recentemente, acompanhava a delegação em jogos, além de cuidar da segurança do presidente.

No despacho, o promotor requisitou comprovações documentais sobre os pagamentos às três notas fiscais que somam R$ 676,6 mil à Mega Assessoria Operacional Ltda. Ele também pediu informações sobre quem autorizou os pagamentos, a forma utilizada e o destinatário final, além do expediente administrativo que justificou os pagamentos.

Conserino ainda requer o contrato de prestação de serviços entre o Corinthians e a Mega, além de esclarecer se algum representante da empresa é funcionário do clube. O promotor questiona também o período de prestação de serviços relacionado às notas fiscais.

O despacho destaca uma contradição nas declarações do clube: enquanto o Corinthians afirmou que o presidente incumbiu o ex-diretor administrativo Fábio Soares e Fernando de contratar uma empresa de forma emergencial, Fábio, em depoimento, indicou que Stabile foi quem determinou essa contratação e deu poderes a Fernando para realizá-la. O promotor pediu que Fábio seja notificado para confirmar ou não o que disse em depoimento sobre a participação do presidente.

O depoimento de Fernando, como figura central da investigação, está agendado para o dia 15 de junho, às 11h15 (horário de Brasília).

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original