O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, admitiu que houve um erro na contratação de uma empresa irregular para prestar serviços de segurança por três meses. Ele também anunciou a intenção de afastar o diretor administrativo, Fábio Soares, enquanto o caso é investigado pelo Ministério Público.
Stabile convocou jornalistas para uma coletiva no Parque São Jorge, onde explicou a situação após a abertura de uma investigação sobre o pagamento de R$ 676 mil a uma empresa criada em nome de um funcionário do clube. Essa empresa não possuía autorização da Polícia Federal para operar na área de segurança privada e não tinha contrato formal com o Corinthians.
O presidente declarou que autorizou Fernando José da Silva, que se apresenta como gerente operacional, a liderar a troca da equipe de segurança após um incidente em que apoiadores do ex-presidente Augusto Melo invadiram o andar da presidência, em 31 de maio de 2025. No entanto, Stabile negou ter solicitado que Fernando abrisse uma empresa para isso, referindo-se à Mega Assessoria Operacional Ltda.
“No dia da invasão, ele foi o cara que ficou comigo o tempo todo. Eu estava inseguro e correndo risco de vida. Os seguranças não me atendiam mais”, explicou Stabile, que também apresentou um ofício que concedia plenos poderes a Fernando para atuar em nome do Corinthians em questões administrativas.
Após a invasão, Stabile autorizou Fernando a contratar novos profissionais de segurança, mas afirmou que não teve conhecimento da irregularidade na contratação, nem da falta de autorização da Polícia Federal. “Quando foram pagar as notas, contrataram outra empresa e deixaram essa de lado”, disse.
Fernando inicialmente afirmou que abriu a empresa a pedido de Fábio Soares, mas depois mudou sua versão, alegando que a solicitação partiu de Stabile. O presidente reiterou que Fernando não é funcionário do clube e que a única medida possível no momento é o afastamento de Fábio Soares enquanto as investigações do MP prosseguem.
Stabile também comentou que, descontados os impostos, os R$ 676 mil foram efetivamente destinados ao pagamento de cerca de 15 seguranças que atuaram 24 horas por dia. Ao ser questionado sobre o erro administrativo, ele mencionou a falta de homologação da empresa devido à urgência da situação. “Talvez ter contratado essa empresa sem passar pela homologação foi o erro”, reconheceu.
Após os serviços emergenciais, Stabile afirmou que foi realizada uma concorrência e uma nova empresa de segurança foi contratada, mas ele não soube informar o valor do contrato atual.
O promotor Cássio Conserino, que investiga ex-presidentes do Corinthians, abriu um procedimento para apurar possíveis irregularidades na contratação. O MP destacou que as notas fiscais apresentadas têm indícios de irregularidades e que a sede da empresa investigada é uma residência comum em São Paulo.
Os depoimentos de Fernando e Fábio Soares estão agendados para o dia 26 deste mês.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original