A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo está a caminho de ter um novo proprietário. A GDA, liderada pelo empresário mexicano Gabriel de Alba, já firmou um contrato vinculante com o clube, mas o controle ainda não foi oficialmente transferido.

Nos bastidores, há expectativa de que o acordo final ocorra na próxima semana. As negociações para a transferência das ações estão sendo conduzidas diretamente entre representantes da GDA e da Cork Gully, empresa britânica de reestruturação financeira, que está atuando como administradora da Eagle Bidco.

Gabriel de Alba está à frente das tratativas, que se encontram em fase final. É importante ressaltar que o Botafogo Social e a SAF não estão participando das discussões, mesmo com o presidente João Paulo Magalhães presente nos Estados Unidos para acompanhar os desdobramentos.

O foco do acordo é a transferência de 90% das ações pertencentes à Eagle Bidco. Simultaneamente, John Textor, ex-gestor da SAF, tenta reaver suas ações na Justiça tanto no Rio de Janeiro quanto nos Estados Unidos. Recentemente, a Justiça do Rio determinou que ele recuperasse seus direitos políticos na SAF, mas o clube social considera essa decisão conflitante.

A intenção é que a GDA assuma as ações e, consequentemente, a dívida da SAF do Botafogo, que está estimada em cerca de R$ 3 bilhões, sem que haja pagamento à Eagle. A Cork Gully vê com bons olhos essa movimentação e planeja negociar também com os clubes Lyon e RWD Molenbeek.

Enquanto a GDA se prepara para assumir o Botafogo, Michele Kang está em negociações para obter o controle total do Lyon. Existe a possibilidade de um acordo entre Lyon e Botafogo, considerando as transferências realizadas sob a gestão de Textor, que utilizava um sistema de caixa único. O clube francês possui dívidas com o Botafogo, que, por sua vez, também deve ao Lyon.

A Ares, principal credora da Eagle, nomeou administradores judiciais independentes através de um mecanismo da lei inglesa, com a dívida total estimada em US$ 547,3 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões). Além de assumir a dívida e a gestão do passivo, a GDA pretende investir recursos para fortalecer a SAF do Botafogo nos próximos meses, com uma previsão de injeção inicial de 25 milhões de dólares após a transferência das ações.

O investimento total de Gabriel de Alba está projetado em 105 milhões de dólares, a serem pagos de forma parcelada ao longo dos próximos anos, com a expectativa de que a GDA também ajude a amortizar parte da dívida associativa.

Na última segunda-feira, a Justiça do Rio devolveu a John Textor os direitos políticos na SAF do Botafogo. Em uma ação que ocorre em segredo de Justiça, o desembargador Luiz Eduardo Canabarro suspendeu as decisões que afastaram Textor do comando da SAF, mas o Botafogo Social entende que essa decisão é conflitante com a definição do STJ sobre a competência do Tribunal Arbitral para julgar a disputa na SAF.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original