O Ministério Público de São Paulo arquivou o inquérito que investigava Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, por suposta falsidade ideológica. A decisão foi tomada pela promotora Daniela Domingues Hristov, da 4ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, que apontou a ausência de tipicidade penal na conduta investigada.
A Polícia Civil havia indiciado Ayres na última quinta-feira, após um pedido da Comissão de Ética do clube. Em um relatório datado de 29 de abril, a comissão sugeriu que Olten poderia ter cometido o crime de falsidade ideológica e encaminhou suas conclusões às autoridades competentes.
O inquérito revelou que um documento, datado de 17 de dezembro de 2025 e assinado por dois membros do Conselho Consultivo do São Paulo, foi elaborado previamente por Olten Ayres e apenas entregue para assinatura. O Ministério Público destacou que o Conselho Consultivo tem uma natureza meramente consultiva e não possui a competência para alterar o Estatuto Social do clube ou gerar efeitos jurídicos.
A promotora também ressaltou que não ficou demonstrado que o documento poderia prejudicar um direito, criar uma obrigação ou alterar a veracidade de um fato juridicamente relevante, elementos essenciais para caracterizar o crime de falsidade ideológica. Assim, a decisão do MP foi de que não compete a um órgão público julgar tal fato.
Em nota, Olten Ayres optou por não se manifestar sobre o caso. É importante ressaltar que essa investigação não está relacionada à força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga outras três situações envolvendo o São Paulo, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção na gestão de Julio Casares.
A Comissão de Ética do São Paulo, em seu relatório, indicou que Olten Ayres havia encaminhado um pedido de reforma estatutária ao Conselho Consultivo no mesmo dia em que Julio Casares iniciou um processo similar. O relatório do Conselho Consultivo, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda, foi favorável às mudanças propostas, mas a Comissão Legislativa elaborou um parecer contrário à reforma.
A Comissão de Ética concluiu que o Conselho Consultivo não se reuniu para discutir a proposta, contrariando o que indicava o parecer. Além disso, um e-mail de Ives Granda indicou que o relatório não refletia a vontade do colegiado, mas sim conversas isoladas entre alguns conselheiros.
Por fim, a Comissão de Ética afirmou que o documento utilizado por Olten Ayres para respaldar a proposta de alteração estatutária não condizia com a realidade e com a lealdade dos fatos, caracterizando um eventual falso ideológico.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original