Na última quarta-feira, o Juventude conquistou uma vitória expressiva sobre o São Paulo, com o placar de 3 a 1, garantindo a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil. O destaque da partida foi o volante Mandaca, que marcou o gol decisivo. No entanto, sua trajetória no futebol foi marcada por desafios e superações.

Natural de João Pessoa, na Paraíba, Mandaca, de 24 anos, revelou em entrevista que, durante a adolescência, recebeu propostas para jogar futsal no exterior, mas sempre sonhou em se tornar jogador profissional de futebol. "Tinha chegado algumas propostas no futsal, querendo que eu fosse para Dubai. Mas eu tinha o sonho de jogar no campo", contou.

O atleta passou por testes em clubes como Corinthians e Fluminense, mas não obteve sucesso. Após retornar à Paraíba, ele continuou sua busca por uma oportunidade no futebol profissional. Em 2019, foi revelado pelo Centro Sportivo Paraibano (CSP) e logo chamou a atenção do Corinthians durante o Campeonato Paraibano. Contratado por empréstimo em 2020, Mandaca teve sua estreia pelo time profissional, onde marcou um gol importante.

Mandaca também compartilhou uma experiência traumática de sua juventude, quando quase foi vítima de um tiroteio. "Estava esperando com uns amigos em uma esquina perto de casa. Do nada, alguém apareceu e atirou para o nosso lado. Eu vi que a arma não pegou e todo mundo saiu correndo. Foi um livramento pra mim", relembrou.

Apesar das dificuldades, Mandaca manteve seu foco no futebol, mesmo enfrentando a resistência do avô, que desejava que ele seguisse carreira no Exército. Ele foi contratado pelo Juventude para a Série B do Campeonato Brasileiro de 2023, ajudando o clube a conquistar o acesso à Série A. Atualmente, Mandaca é um ídolo da torcida, com 140 jogos e 15 gols pelo clube, e tem contrato até o final de 2026.

Recuperando-se de uma lesão no tornozelo, Mandaca entrou em campo aos 42 minutos da etapa final contra o São Paulo e, em apenas seis minutos, garantiu a classificação do Juventude ao marcar um gol. "Dentro do Alfredo Jaconi eu sou iluminado, a torcida me abraça e me dá um ânimo a mais", afirmou o jogador.

Apesar de estar longe de casa há seis anos, Mandaca sente saudades da culinária nordestina e costuma pedir à família que traga ingredientes típicos durante as visitas. "Aqui no Sul, às vezes é difícil encontrar o que eu gosto, como milho assado e canjica", comentou.

Mandaca ainda não se adaptou totalmente à cultura gaúcha, afirmando que não gostou do chimarrão, mas aprecia a polenta e o sagu, que aprendeu a gostar após experimentar uma versão feita por um massagista do time.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original