Lucas Moura revelou que considerou a aposentadoria após sofrer uma ruptura total do tendão de Aquiles direito durante uma partida entre São Paulo e Bahia, no início de maio. O jogador, de 34 anos, desceu ao vestiário do Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, e recebeu a confirmação da gravidade da lesão.

Em entrevista ao GE, Lucas compartilhou suas preocupações sobre o futuro, especialmente devido à proximidade do fim de seu contrato com o São Paulo, que se encerra em dezembro. "Na emoção do momento, quando cheguei ao vestiário, confesso que passou pela minha cabeça. Porque, quando confirmou ali, os relatos que ouvimos sobre o tendão de Aquiles são de que demora de dez meses a um ano para voltar. Pensei: 'Meu contrato acaba em dezembro. Vou estar onde? Vou estar sem clube?'. Vem aquela dúvida", contou.

A cirurgia foi realizada no dia seguinte em São Paulo, e Lucas inicialmente temeu ficar afastado por até um ano. No entanto, os médicos deram uma previsão de seis meses para sua recuperação. Ele retornou aos campos antes do esperado, e destacou a importância do apoio de sua esposa, Larissa, durante esse período difícil.

"Ela disse: 'Amor, imagina quantas pessoas chegam ao hospital e não sabem se vão sair amanhã. Você está com uma lesão que, em seis meses, está recuperado'. Isso foi um tapa para mim. Vamos sair mais fortes. Aí virou a chave para mim", relatou o meia.

Lucas ficou cinco meses sem jogar até retornar em um confronto contra o Vitória, no Morumbi, em 10 de outubro. Durante sua recuperação, ele se tornou uma figura de liderança no elenco, mesmo fora de campo, buscando inspiração em Rogério Ceni, a quem considera o maior exemplo de liderança em sua carreira.

"Nunca fui capitão nos outros times, mas, pela minha experiência e idade, exerço essa função aqui no São Paulo. Gosto de estar presente nos jogos, ajudar no vestiário, orientar no que puder", afirmou.

O jogador também ressaltou a importância de Rafinha, que agora faz parte da diretoria de futebol do clube, como um elo entre os atletas e a administração. Lucas acredita que a experiência de Rafinha tem sido fundamental para lidar com os desafios enfrentados pelo São Paulo.

"Sem dúvidas, ajudou muito. Ele conhece bem o clube e é um líder nato. Sabe do que o jogador gosta e precisa. Fez esse intercâmbio entre os jogadores e a diretoria", disse.

Lucas reconheceu que os problemas fora de campo impactaram o desempenho da equipe, mas também enfatizou que os jogadores têm sua responsabilidade na situação atual do clube. "O São Paulo atravessa uma crise muito grande nos últimos anos, então não tem como não falar que isso influencia. Mas cada um tem sua parcela de culpa. As coisas não aconteceram como queríamos", analisou.

Ainda sem definição sobre seu futuro, Lucas reafirmou sua identificação com o São Paulo e não descartou a possibilidade de renovar seu contrato. "O São Paulo é o clube que amo, minha casa, tenho uma identificação grande. Vamos ver o que vai acontecer nos próximos capítulos. Se tiverem interesse, vamos sentar, conversar e negociar. Se não tiverem interesse, é pensar no que vai aparecer. Enfim, não dá para falar nada agora", concluiu.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original