O presidente em exercício do Conselho Deliberativo e da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians, Leonardo Pantaleão, está proibido de conduzir a investigação interna sobre possíveis irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike. A medida foi determinada por uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo, acatada nesta terça-feira, em resposta a um pedido de Armando Mendonça, vice-presidente do clube.

A decisão, proferida pelo juiz Antonio Manssur Filho, da 2ª Vara Cível da Regional VIII do Tatuapé, apontou indícios de irregularidades na condução do processo e destacou um possível conflito de interesses devido ao acúmulo de funções por Pantaleão. O magistrado ressaltou que a acumulação das presidências da Comissão de Ética e do Conselho Deliberativo é incompatível com os princípios de imparcialidade e com as normas do estatuto do clube.

A liminar também prevê uma multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento. Além do conflito de interesses, a decisão judicial mencionou outras irregularidades processuais, como a falta de nomeação formal de relator antes da defesa e a não apresentação do prontuário cadastral do associado.

A urgência da liminar se justifica pela proximidade do prazo para a defesa de Armando Mendonça, que deve ser apresentada até o dia 9 de junho. Com a Comissão de Ética e Disciplina sem um vice-presidente, a investigação será conduzida pelo colegiado do órgão.

Em nota, Pantaleão comentou a decisão, afirmando que a liminar foi concedida sem que ele fosse ouvido e expressou confiança de que, após esclarecimentos, o juiz entenderá a situação. Ele destacou que a liminar não impede a atuação da Comissão de Ética, mas restringe sua participação direta no processo.

Recentemente, Pantaleão esteve à frente dos processos que resultaram na expulsão dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo do quadro associativo do Corinthians.

O relatório de auditoria, realizado pelo diretor de Tecnologia, Marcelo Munhoes, apontou diversas irregularidades na gestão dos materiais fornecidos pela Nike, incluindo a retirada de itens que ultrapassavam em quase 300% a cota anual estipulada em contrato. Esse relatório coloca Armando Mendonça no centro das inconformidades, já que ele era responsável pela administração dos materiais no clube.

Mendonça negou as irregularidades e atribuiu o descontrole na retirada dos materiais à gestão anterior de Augusto Melo, afirmando que a nova administração já implementou correções e que o relatório possui falhas.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original