A Justiça decidiu não acatar o pedido do Ministério Público para a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, em um caso que investiga possíveis irregularidades relacionadas a materiais esportivos fornecidos pela Nike.
A decisão foi tomada pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda, que também indeferiu solicitações para afastar Armando de seu cargo, restringir seu acesso ao clube e limitar seu contato com dirigentes e testemunhas.
O pedido do Ministério Público foi protocolado após a demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do clube, que é visto como uma testemunha crucial no caso. O promotor Cássio Conserino alegou que a demissão de Munhoes, próxima a uma audiência marcada para o dia 10 de novembro, poderia ser uma tentativa de intimidar testemunhas e interferir na coleta de provas.
Conserino afirmou que Munhoes apresentou informações técnicas que ajudaram a identificar indícios de apropriação indevida de materiais esportivos. Segundo ele, a demissão poderia impactar não apenas o depoimento de Munhoes, mas também o de outros funcionários do Corinthians que devem ser ouvidos pela Justiça.
No entanto, a juíza Sato concluiu que não havia evidências de que Armando tivesse influenciado a demissão de Munhoes ou tentado constranger a testemunha. Para a magistrada, a proximidade entre a demissão e a audiência não é suficiente para comprovar um risco à investigação.
Além disso, a juíza rejeitou um pedido da defesa de Armando que buscava reconsiderar uma decisão anterior sobre a suspeição do promotor. Os advogados do vice-presidente apresentaram novos argumentos, incluindo uma nota oficial do Corinthians e o pedido de prisão, mas a juíza considerou que não demonstraram parcialidade ou interesse pessoal do promotor no caso.
Armando Mendonça se tornou réu em junho deste ano, enfrentando acusações de apropriação indébita agravada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado e coação no curso do processo. Um relatório de auditoria interna, solicitado pelo presidente Osmar Stabile, apontou irregularidades na gestão dos materiais esportivos da Nike, envolvendo diretamente o vice-presidente.
Armando nega qualquer irregularidade e argumenta que o descontrole na retirada dos materiais ocorreu durante a gestão de seu antecessor, Augusto Melo, afirmando que correções foram feitas na nova administração. O Ministério Público, por sua vez, alega que Armando se apropriou de 131 itens de material esportivo, tentou obter 19 camisas especiais da NFL e ameaçou duas testemunhas durante a investigação.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original