Julio Casares não faz mais parte do Conselho Deliberativo do São Paulo. O ex-presidente apresentou sua renúncia nesta terça-feira, um dia antes de sua audiência na Comissão de Ética. Ele é alvo de investigações por suposta gestão temerária e irregularidades ocorridas durante seu mandato.

Em uma carta aberta ao clube, Casares também anunciou sua saída do Conselho Consultivo e do quadro associativo. Apesar de ter se desligado como sócio, o Estatuto Social do São Paulo proíbe a aceitação de pedidos de demissão quando o associado está sob investigação. No entanto, pessoas próximas a Casares afirmam que ele não é obrigado a permanecer no clube durante o processo administrativo, invocando seu direito constitucional de livre arbítrio.

A equipe jurídica do ex-presidente solicitou acesso aos documentos relacionados às acusações para preparar sua defesa, mas afirma que o pedido foi negado. A informação sobre sua saída do São Paulo foi inicialmente divulgada pelo Uol e confirmada pelo Globo Esporte.

Casares também está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por possíveis crimes de lavagem de dinheiro e envolvimento em um esquema de exploração clandestina de camarotes em shows realizados no Morumbi. Relatos indicam que ele retirava cerca de R$ 100 mil em espécie mensalmente do clube.

Durante sua gestão, que se estendeu de janeiro de 2021 a janeiro de 2026, Casares utilizou R$ 1 milhão em seu cartão corporativo, conforme revelado pelo Globo Esporte. Os gastos incluíram visitas a casas de charutos e restaurantes de luxo.

Em sua carta, Casares expressou tristeza pela forma como encerra sua trajetória no clube, destacando que sua decisão foi motivada pela necessidade de preservar sua saúde, dignidade e o bem-estar de sua família. Ele criticou o ambiente político dentro do clube, que, segundo ele, se tornou hostil e marcado por perseguições.

Casares afirmou que seu legado inclui conquistas significativas, como três títulos, e ressaltou que todas as suas ações foram aprovadas pelos órgãos competentes do clube na época. Ele se despediu com a esperança de que a verdade prevaleça e que a política do São Paulo retome um caminho de união e respeito.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original