A Justiça do Rio de Janeiro confirmou, nesta sexta-feira, a decisão que proíbe, por enquanto, a liberação do empréstimo de R$ 150 milhões solicitado pelo Vasco. A juíza Simone Gastesi Chevrand destacou a necessidade de um relatório de auditoria antes de autorizar o novo financiamento.
O Vasco havia recorrido da decisão que condicionou a análise do empréstimo à apresentação do relatório, mas a magistrada reafirmou a determinação inicial, publicada na terça-feira. Ela apontou que existem questões contábeis que precisam ser esclarecidas antes que um novo endividamento seja permitido.
A decisão também levanta preocupações sobre a relação entre o empréstimo e a venda da SAF, já que os R$ 150 milhões seriam oferecidos pelo mesmo grupo que fez uma proposta para assumir o futebol do clube, representado pelo empresário Marcos Lamacchia. Com isso, os valores totais de empréstimos poderiam alcançar R$ 270 milhões, o que, segundo a Justiça, poderia dificultar a concorrência no processo e requer mais esclarecimentos.
A juíza enfatizou que não é aceitável que uma venda direta seja disfarçada de UPI. Além disso, questionou as projeções financeiras que foram apresentadas anteriormente em comparação com os números usados agora para justificar a necessidade do novo empréstimo.
Outro ponto levantado foi a previsão de R$ 70 milhões em investimentos para agosto e R$ 18,4 milhões para setembro. A decisão indicou que 84% da dívida emergencial apresentada para justificar o novo financiamento está relacionada a investimentos. A juíza também pediu esclarecimentos sobre a falta de manifestação da Administração Judicial, do watchdog e do gatekeeper sobre os pontos considerados sensíveis, e estes foram intimados a se pronunciar em 48 horas.
Com essa decisão, o Vasco permanece sem a liberação dos R$ 150 milhões, quantia considerada crucial pela diretoria para fortalecer o caixa do clube e financiar compromissos, incluindo investimentos no futebol durante a janela de transferências.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original