A participação do Haiti na Copa do Mundo de 2026 representava um desfecho simbólico para Jonel Désiré, um atacante de 29 anos que sobreviveu ao devastador terremoto que atingiu o país em 2010. O futebol se tornou uma maneira de recomeçar sua vida, com o apoio do projeto Pérolas Negras, em Porto Príncipe.

Jonel estabeleceu uma conexão com o Brasil em 2014, quando, aos 17 anos, se destacou em um amistoso contra a seleção brasileira de favelas. Esse desempenho lhe rendeu convites para testes no Botafogo e no Cruzeiro, mas sua passagem pelo Brasil foi breve, e ele seguiu sua carreira em outros países.

Após retornar ao Haiti e se destacar em campo, Jonel se transferiu para os Estados Unidos, onde jogou pelo Real Monarchs. Sua trajetória o levou à Europa, onde atuou em clubes da Armênia, como Lori, Urartu, Pyunik, Alashkert e West Armenia, além de passagens por equipes no Chipre e na Geórgia.

Em 2025, Jonel decidiu voltar ao Brasil, optando pelo Pérolas Negras, que busca promover o futebol haitiano. O objetivo era se destacar na Série A2 do Carioca e ser convocado para a Copa do Mundo. No entanto, ele decidiu retornar à Armênia antes de realizar esse plano e se juntou ao FC Van em abril de 2026, onde fez seis partidas, mas não foi convocado para a Copa do Mundo.

O técnico Sébastien Migné optou por convocar outros jogadores para o ataque, como Duckens Nazon e Wilson Isidor. O Haiti está no Grupo C da Copa de 2026, ao lado de Brasil, Escócia e Marrocos. Jonel foi parte importante de uma geração do futebol haitiano e atuou em 20 partidas pela seleção desde 2015, mas não entra em campo desde 2019.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original