O Vasco da Gama conseguiu resolver uma das questões mais urgentes que cercavam o clube nos dias que antecedem o retorno do calendário de jogos, ao encaminhar a contratação do técnico Fernando Seabra, que estava à frente do Coritiba. A necessidade de um novo treinador tornou-se uma prioridade para a diretoria após a demissão de Renato Gaúcho, mas o processo enfrentou obstáculos devido à instabilidade política e jurídica do clube.

Esse cenário foi agravado pelo afastamento de Pedrinho da gestão da SAF e, posteriormente, pela renúncia da interventora judicial por motivos de segurança. Embora Fernando Seabra não fosse a primeira opção do Vasco, ele sempre teve uma boa avaliação interna. O clube havia mapeado o mercado e iniciado contatos com diversos treinadores, priorizando inicialmente profissionais estrangeiros.

A direção do Vasco chegou a um acordo verbal com Franclim Carvalho, atualmente no Botafogo, mas a instabilidade interna dificultou a finalização do negócio. O treinador expressou preocupação com a situação do clube, relembrando a experiência de Álvaro Pacheco, que assumiu em um contexto de incerteza jurídica. Apesar de ter se interessado pelo projeto apresentado pela diretoria, Franclim decidiu não avançar sem clareza sobre quem lidera o clube, levando o Vasco a retirar a proposta.

Com isso, Fernando Seabra tornou-se a escolha da vez. O técnico é reconhecido por seu trabalho moderno e pela forma como lida com jogadores jovens. Os primeiros contatos com Seabra ocorreram na semana passada, quando o CEO do Vasco, Fred Luz, se comunicou com o Coritiba para formalizar uma proposta. O diretor Admar Lopes viajou até Curitiba, onde se reuniu com o treinador e apresentou o projeto do clube.

Antes de selar o acordo, Seabra comandou um treino no Coritiba, mas o clima já não era o mesmo, com expectativas de que aceitasse a proposta que seria apresentada. O Vasco ofereceu uma valorização salarial cerca de três vezes maior do que o que o treinador recebe atualmente. Nos últimos meses, Seabra recebeu propostas de Santos e Atlético-MG, mas não se envolveu em negociações, confiando no projeto do Coritiba.

A proposta do Vasco foi considerada diferente, tanto pela valorização financeira quanto pelo ambicioso projeto esportivo. Antes de aceitar, Seabra conversou com outros treinadores e jogadores que passaram pelo clube, e as referências positivas o incentivaram a fechar o negócio. Durante a reunião, o executivo de futebol do Vasco discutiu com a diretoria do Coritiba a forma de pagamento da rescisão de contrato do treinador, que gira em torno de R$ 5 milhões.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original