Natascha Honegger, goleira do Palmeiras, compartilha como enfrentou o temor de morte súbita após ser diagnosticada com uma arritmia cardíaca conhecida como síndrome de QT Longo. As palavras do médico, que a alertaram sobre os riscos de continuar jogando, foram um choque para a atleta, que estava em sua oitava temporada.

Após receber o diagnóstico, Natascha foi afastada dos treinos e jogos, optando por manter o sigilo sobre sua condição, inclusive com seus familiares. "Fiquei depressiva, porque para mim o mundo caiu. Treinava escondido e decidi que queria continuar jogando, mesmo com o risco. Se algo acontecesse, que fosse fazendo o que amo", revelou.

Quatro meses depois, ela descobriu que o diagnóstico havia sido um erro e que não apresentava nenhum problema de saúde. Essa reviravolta a levou a se transferir para o Flamengo por empréstimo em 2022, em busca de novos desafios.

Hoje, aos 28 anos, Natascha reflete sobre sua trajetória e os desafios que enfrentou. Ela conquistou a Copa América de 2022 e o Campeonato Paulista de 2024, e atualmente se recupera de uma lesão multiligamentar no joelho. Durante esse processo, decidiu estudar gestão esportiva, inspirada pela presidente do Palmeiras, Leila Pereira.

"Leila é uma grande inspiração para mim. Ela toma decisões difíceis e se mantém firme, o que demonstra sua visão de longo prazo. Sou fã do trabalho dela", afirma a goleira.

Nascida na Suíça e com dupla nacionalidade brasileira, Natascha começou a trabalhar aos 15 anos e formou-se em contabilidade aos 18. Atualmente, estuda economia com foco em gestão esportiva em uma faculdade online na Suíça. "A vida de atleta é curta, então é importante ter um plano para o futuro. Quero unir mais as modalidades masculina e feminina e ser um exemplo", acrescenta.

Antes de pensar em sua carreira após o futebol, Natascha ainda tem metas a cumprir como atleta. Em sua carreira, passou por quatro clubes na Suíça, pelo Paris FC na França, além de Corinthians, Flamengo e Palmeiras, onde está desde 2024. Ela sonha em voltar a jogar pela seleção brasileira e conquistar a Copa do Mundo de 2027.

"Estou em um bom caminho, mentalmente. Meu foco é voltar a ter ritmo e, a longo prazo, ser campeã mundial aqui no Brasil", finaliza Natascha.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original