O presidente da CBF, Samir Xaud, comentou sobre a reunião que discutiu a futura liga única do futebol brasileiro, que terá a responsabilidade de conduzir estudos e tomar decisões sobre assuntos relevantes do Brasileirão.
A CBF apresentou um extenso estudo aos clubes das Séries A e B, destacando propostas e ajustes que devem ser discutidos até a criação do estatuto da nova liga, prevista para ser finalizada até o final de 2026.
Entre os temas que a futura liga irá deliberar está a qualidade dos gramados utilizados nas competições. Atualmente, clubes como Atlético-MG, Athletico, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras utilizam gramados sintéticos na Série A. Existe um movimento entre alguns clubes contra o uso desses campos artificiais, enquanto outros defendem sua qualidade, além de criticarem a má conservação dos gramados naturais.
Outro assunto em pauta é a questão do rebaixamento, com discussões sobre a possibilidade de reduzir o número de equipes rebaixadas de quatro para três, o que teria um impacto direto nas divisões inferiores, diminuindo as vagas de acesso na Série B.
Além disso, a utilização de jogadores estrangeiros também pode ser discutida. Desde 2024, cada time pode escalar até nove estrangeiros por partida, um aumento em relação ao limite anterior de sete. Há preocupações de que essa ampliação possa resultar na subutilização de jogadores formados nas categorias de base.
Samir Xaud afirmou que a CBF primeiro precisa organizar as questões mais importantes do futebol antes de avançar nas discussões sobre a liga única. Ele destacou que os clubes demonstraram interesse em colaborar, o que torna este um momento propício para iniciar esse processo.
Outro ponto abordado foi o endividamento dos clubes, que aumentou significativamente nos últimos anos, mesmo com a elevação das receitas. A CBF observou que, apesar do aumento de investimentos, a qualidade do futebol não melhorou proporcionalmente. A entidade identificou que muitos recursos foram utilizados para contratações de jogadores e técnicos, além de aumentos salariais, sem que isso resultasse em um desempenho superior.
A pesquisa da CBF indicou um aumento de 147% no endividamento dos clubes entre 2022 e 2024. A implementação de regras de Fair Play Financeiro é vista como um primeiro passo para reverter esse quadro. A CBF acredita que a criação de diretrizes sustentáveis na nova liga pode ajudar a melhorar a saúde financeira dos clubes.
Além disso, a CBF avaliou a situação do futebol brasileiro em comparação com ligas de destaque como a Premier League, La Liga e Bundesliga, identificando que o Brasil fica atrás em vários aspectos, como calendário, infraestrutura e governança.
Os clubes estão organizados em dois blocos comerciais, a Libra e a FFU, e a CBF sugeriu um cronograma para que apresentem propostas até julho. O estatuto da liga deve ser inaugurado até dezembro de 2026.
A CBF também destacou que a receita da liga brasileira é inferior a um terço da Bundesliga, apesar do Brasil ter uma população significativamente maior. Uma pesquisa recente indicou que 140 milhões de brasileiros torcem por algum time, com 40 milhões considerados fanáticos.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original