O Flamengo está recorrendo a um precedente da Conmebol em sua tentativa de alterar a classificação para a final da Libertadores, citando uma suposta escalação irregular de Marcos Rojo, do Estudiantes. Em 2018, a confederação sul-americana alterou o resultado de um jogo do Santos, que foi eliminado nas oitavas de final pelo mesmo motivo.

Na ocasião, o Santos empatou em 0 a 0 no jogo de ida contra o Independiente, que posteriormente apresentou um recurso à Conmebol, alegando que o meia Carlos Sánchez havia sido escalado de forma irregular. A entidade analisou o caso e decidiu punir o Santos, retirando um ponto da partida. Assim, o empate foi transformado em uma derrota por 3 a 0, obrigando o Santos a vencer o jogo de volta por uma larga margem para avançar na competição. No entanto, o Santos não conseguiu superar o desafio e novamente empatou, desta vez em 0 a 0, sendo eliminado.

Coincidentemente, o Flamengo também empatou em 0 a 0 os dois jogos da semifinal contra o Estudiantes e foi eliminado nos pênaltis.

O caso de Carlos Sánchez remete a uma suspensão que ele recebeu em 2015, quando jogava pelo River Plate. Após ser expulso em uma partida, ele foi punido com três jogos de suspensão. Contudo, a Conmebol anunciou uma anistia em 2016, reduzindo a pena para um jogo, que deveria ser cumprido na partida das oitavas de final contra o Independiente.

Sobre Marcos Rojo, ele teve uma transferência conturbada do Racing para o Estudiantes, que pagou uma quantia significativa para garantir sua contratação. Embora tenha sido inscrito no Campeonato Argentino, sua inclusão na Libertadores foi inicialmente rejeitada, mas o Estudiantes recorreu ao CAS e conseguiu a autorização para escalá-lo. O Flamengo, ciente da decisão, argumenta que a utilização do jogador sem a autorização da Conmebol fere o regulamento e solicita a aplicação da penalidade prevista para casos de escalação irregular, que é a derrota por 3 a 0.

O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol estabelece que, em casos de escalação indevida, a equipe responsável será considerada perdedora por 3 a 0.

Outros casos de jogadores escalados de forma irregular na Libertadores ocorreram, mas não resultaram em punições, como os casos de Ramón Ábila e Bruno Zuculini, ambos em 2018.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original