A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) enviou um ofício ao presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), Caio Resende, solicitando a inclusão dos empresários no Sistema de Sustentabilidade Financeira, conhecido como fair play, criado pela CBF este ano.

No documento, a Abaf menciona o atraso nos pagamentos de comissões e destaca a gravidade da situação, considerando que o Flamengo é visto como o clube em melhor condição financeira do futebol brasileiro. A carta foi assinada pelo presidente da Abaf, Jorge Moraes, e foi acessada pelo ge.

Os empresários já haviam iniciado um movimento para serem reconhecidos como credores que podem reportar inadimplementos à Anresf, e o pedido foi intensificado devido à alegada reorganização financeira do Flamengo.

Nos últimos dias, o departamento de negociação e contratos do clube enviou e-mails aos agentes, informando sobre a necessidade de renegociar e reprogramar pagamentos de comissões acordadas até o final de 2026. Em uma das mensagens, o Flamengo afirmou que os pagamentos pendentes de 2026 seriam adiados para 2027, mas não apresentou um novo cronograma.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, comentou sobre a situação em uma entrevista recente, afirmando que a renegociação é viável, pois algumas condições contratuais não eram adequadas. Ele ressaltou a credibilidade do clube no mercado e questionou se os empresários estão recebendo pagamentos em dia de outros clubes.

Essa não é a primeira vez que o Flamengo enfrenta conflitos com empresários por questões de comissões. No início do ano passado, o clube já havia adiado pagamentos para melhorar o fluxo de caixa logo após a posse de Bap, que assumiu o cargo com cerca de R$ 3 milhões disponíveis.

Atualmente, a medida ocorre em um momento em que o Flamengo precisa ser cauteloso em suas contratações, especialmente após o alto investimento na aquisição de Paquetá, cujo custo total foi de R$ 315,7 milhões, com cerca de R$ 155 milhões pagos à vista.

A Abaf tem solicitado a inclusão no fair play desde o início de julho, enviando cartas à Anresf nos dias 1º e 3, sendo que a segunda carta trazia um relato sobre a situação do Flamengo. A Abaf argumenta que, se o clube mais solvente do país recorre a reorganizações internas para suspender unilateralmente obrigações com agentes, o risco para os demais clubes, especialmente aqueles em situações financeiras críticas, aumenta consideravelmente.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original