O Flamengo retornou da pausa para a Copa do Mundo sob forte crítica devido ao desempenho insatisfatório em campo, refletido em resultados que ampliaram a distância para o Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Com as oitavas de final da Libertadores se aproximando, o ambiente no clube é de exigências em relação ao estilo de jogo e insatisfações, especialmente direcionadas ao diretor José Boto e ao departamento médico.
Nos bastidores, a insatisfação aumentou após dois empates consecutivos contra São Paulo e Internacional. O lateral Varela, por exemplo, manifestou sua preocupação com o modo de jogar e defendeu a necessidade de uma reestruturação. O zagueiro Danilo, por sua vez, adotou um tom de autocrítica, enfatizando a importância do trabalho durante o período sem jogos. O Flamengo voltará a atuar no dia 9, enfrentando o Vitória no Maracanã.
Uma parte do elenco acredita que a equipe perdeu características positivas que marcaram os tempos de Filipe Luís, apontando que o time deixou de controlar as partidas e se tornou mais vulnerável defensivamente. A relação com o técnico Leonardo Jardim é considerada boa, mas existem divergências em relação ao modelo de jogo e aos métodos de treinamento. Os jogadores ainda estão se adaptando à filosofia do treinador português, que acredita que a pausa para a Copa do Mundo prejudicou esse processo, uma vez que nove atletas passaram dois meses sob a orientação de outros técnicos.
Outro ponto de tensão no dia a dia do clube é a relação entre a comissão técnica e o departamento médico. Jardim já expressou publicamente sua insatisfação com a lentidão na recuperação de alguns jogadores, como Pulgar e Léo Ortiz, o que gerou questionamentos e cobranças de diversas partes.
A instabilidade no departamento médico não é novidade. Desde a chegada de Bap à presidência, em dezembro de 2024, o setor passou por uma reformulação significativa e enfrentou crises, como a declaração polêmica de José Luiz Runco, ex-chefe do departamento, sobre De la Cruz. Além disso, foi necessário restabelecer a confiança dos atletas, que estavam preocupados com a metodologia aplicada.
A relação do diretor de futebol, José Boto, com jogadores e funcionários também se mostra desgastada, marcada por uma postura considerada fria e cobranças excessivas. A demissão de Filipe Luís, ocorrida em março, acentuou a rejeição a Boto dentro do clube. Desde sua chegada, ele não se esforçou para ser uma figura popular, sendo frequentemente apontado como grosseiro e criticado por sua presença em materiais de divulgação do clube e por exigir serviços pessoais de funcionários.
O presidente Bap, que tem realizado reuniões frequentes no CT, esperava que a crise fosse amenizada com os títulos conquistados no ano passado, mas percebeu que o desgaste se intensificou no início deste ano. Embora tenha considerado a possibilidade de substituir Boto, decidiu mantê-lo, apostando na relação do diretor com Leonardo Jardim. Entretanto, a permanência de Boto até 2027 é vista como incerta.
Diante desse cenário conturbado, o Flamengo busca se reestruturar para reencontrar o caminho das vitórias e da tranquilidade, especialmente com as oitavas de final da Libertadores se aproximando. Uma eliminação precoce seria um golpe duro para o planejamento do clube, especialmente após a queda na Copa do Brasil.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original