O ex-segurança Benedito Ferreira obteve uma vitória na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro contra o Flamengo. Em decisão da segunda instância, publicada no dia 26 de outubro, o tribunal determinou que Benedito receberá uma indenização de cerca de R$ 580 mil e terá direito a uma pensão vitalícia até os 78 anos.

Benedito Ferreira atuou como segurança no Ninho do Urubu e participou do resgate das vítimas do incêndio que ocorreu em fevereiro de 2019, que resultou na morte de 10 jovens da base do clube. O Flamengo tentou recorrer da decisão, mas o agravo interno foi rejeitado pelos desembargadores.

A primeira sentença, proferida em julho do ano passado, já havia concedido a Benedito uma indenização de R$ 100 mil por danos morais e R$ 500 mil por danos materiais, além da pensão vitalícia. O clube foi também condenado a reintegrá-lo ao quadro de funcionários em até cinco dias, sob pena de multa, mas recorreu da decisão.

Recentemente, os desembargadores da Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região decidiram aumentar a indenização por danos morais para R$ 150 mil. No entanto, houve uma restrição nos cálculos da pensão, que agora está atrelada apenas ao salário-base mensal de Benedito. O valor total da indenização inclui R$ 8,6 mil em custas processuais e R$ 430 mil de indenização, descontando R$ 20 mil que já haviam sido pagos em um acordo extrajudicial que foi anulado.

O Flamengo não se manifestou sobre a decisão, e Benedito optou por não comentar o caso. Atualmente, ele está em tratamento psiquiátrico e psicológico, além de utilizar medicamentos controlados.

Benedito Ferreira foi demitido pelo Flamengo em 2022, após trabalhar no clube desde 2008. Ele entrou com duas ações contra a instituição, uma delas relacionada ao afastamento do trabalho, que não foi devidamente comunicado ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) em decorrência do incêndio.

Um laudo pericial confirmou que Benedito apresenta transtornos depressivos e de pânico, com agravamento e ideação suicida, caracterizando a gravidade de sua condição. O perito afirmou que o quadro é de origem ocupacional, evidenciando a relação entre suas queixas e o trabalho exercido no Flamengo. O juiz considerou a demissão do ex-segurança como um ato ilícito, uma vez que o clube tinha conhecimento do tratamento médico que Benedito estava realizando.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original