O Vasco da Gama está prestes a finalizar a venda de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Almirante Participações, empresa liderada por Marcos Lamacchia. A proposta da Almirante foi homologada após vencer o leilão, e o Conselho Deliberativo do clube se reunirá na próxima terça-feira para decidir sobre a aprovação do negócio.
Na última semana, a equipe de Lamacchia enviou um memorando de entendimento (MoU) aos conselheiros e envolvidos na transação, detalhando as bases financeiras e operacionais da proposta. Caso o acordo seja aprovado, a Almirante Participações passará a deter 90% das ações da SAF, tornando Lamacchia o novo proprietário do futebol vascaíno.
Todos os ativos relacionados ao futebol, incluindo jogadores, comissão técnica, contratos comerciais, patrocínios, uso do centro de treinamento e propriedade intelectual, serão transferidos para a nova SAF. Além disso, o contrato estabelece algumas condições importantes:
- Cessão de direitos: a nova SAF assume todos os ativos e dívidas da SAF do Vasco.
- Uso do estádio: a Almirante terá o direito de usar o estádio de São Januário em todas as partidas como mandante até 31 de dezembro de 2030.
- Governança: a administração será realizada por um conselho de administração, com garantias de voto aos acionistas minoritários.
- Retenção de dividendos: Lamacchia não poderá vender ações da SAF por 10 anos, e a SAF não distribuirá dividendos nesse período.
- Inadimplência financeira: em caso de não pagamento dos aportes, o Vasco poderá cobrar valores da Almirante e de Lamacchia.
Em termos financeiros, o contrato prevê um investimento mínimo de R$ 500 milhões até 2030, destinado exclusivamente ao futebol. Esse valor não poderá ser utilizado para quitar dívidas da nova SAF.
As obrigações da SAF incluem:
- Auxílio financeiro para obrigações tributárias e previdenciárias.
- Investimento de R$ 120 milhões no centro de treinamento ao longo de 10 anos e R$ 30 milhões em melhorias nas categorias de base.
- Compromisso de obter até R$ 150 milhões em incentivos fiscais ao longo de 10 anos.
- Aportes adicionais de Lamacchia, se necessário, sem que isso altere sua participação na SAF.
- Pagamento de R$ 3 milhões anuais ao CRVG pelo uso de São Januário, com possibilidade de redução em caso de obras.
Atualmente, a negociação está sendo investigada pela Anresf, que avalia um possível conflito de interesses, já que Lamacchia é enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira. No entanto, acredita-se que a venda da SAF não será impedida, podendo apenas haver restrições até o fim do mandato de Leila, em dezembro de 2027.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original