A Eagle Bidco protocolou um pedido na Justiça com o objetivo de suspender o processo de recuperação judicial da SAF Botafogo. Em sua petição, a empresa argumenta que a 2ª Vara Empresarial da Capital, que havia concedido uma decisão favorável ao Botafogo, 'reconheceu a existência de uma conexão impossível' e que a cautelar preparatória foi proposta em 'condições irregulares'.
A defesa da Eagle, que está ligada à credora Ares, defende que o processo de recuperação judicial deve ser anulado sem que haja uma resolução do mérito. Segundo a empresa, o pedido foi feito sem o consentimento da Eagle, que é acionista majoritária, e sem autorização em assembleia. Além disso, a Eagle alega que não há urgência que justifique os pedidos do Botafogo e a antecipação dos efeitos do processo.
No documento, a Eagle menciona que vetou, em sua condição de acionista majoritária, o início do processo de recuperação judicial e cita uma disputa societária em andamento no Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que devolveu à Eagle os poderes políticos nesta segunda-feira. A empresa afirma que a medida representa um 'sequestro' da Companhia, limitando a atuação do acionista controlador e comprometendo o princípio majoritário nas relações societárias.
A Eagle também alega que o movimento preparatório para a recuperação judicial é uma estratégia de John Textor, ex-gestor da SAF, que atualmente está afastado, para manter a Eagle Bidco afastada do controle que lhe pertence. A decisão do Tribunal Arbitral, segundo a defesa da Eagle, confirmou a ilegalidade do ajuizamento da medida cautelar pré-RJ.
De acordo com a defesa, a cautelar não visa proteger a SAF Botafogo contra credores, mas sim manter Textor e seus aliados no comando da Companhia, o que contraria decisões anteriores do procedimento arbitral. A Eagle argumenta que, com a decisão favorável na Justiça, as conversas sobre dívidas foram congeladas, o que impede a execução de ações por parte dos credores.
A Eagle ainda ressalta que não há atualmente um quadro de litigiosidade massiva ou uma ameaça concreta contra a SAF Botafogo, e que a própria agravada admite que a ameaça é meramente hipotética.
Por fim, a empresa critica a urgência e a natureza abusiva do pedido de recuperação judicial, afirmando que busca suspender os direitos políticos da acionista e manter a atual administração artificialmente, além de abrir espaço para um financiamento proposto por Textor, que está no centro da disputa societária.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original