Conhecida como "Dulce Eterna", a figura de Dulce Rosalina Ponce de León é uma presença marcante em São Januário, onde uma faixa em sua homenagem é estendida antes de cada partida. Nascida no Rio de Janeiro em 1934, Dulce foi uma das pioneiras na história do Vasco e desempenhou um papel fundamental na inclusão das mulheres nos estádios de futebol.

Em 1953, Dulce se tornou a primeira mulher a liderar uma torcida organizada no Brasil, a Torcida Organizada do Vasco (TOV). Seu trabalho à frente da torcida incluiu a arrecadação de 200 mil cruzeiros para a construção de quadras de basquete em São Januário. As reuniões da TOV, nos primeiros anos, eram realizadas em sua casa no Rio Comprido, sempre abertas a todos os torcedores.

Dulce foi responsável por introduzir inovações nas arquibancadas, como o uso de papel picado e serpentinas, além de popularizar as baterias nas torcidas. Ela comandou a TOV por 20 anos, de 1956 a 1976, e continuou a influenciar a torcida ao fundar a torcida Renovascão.

Seu amor pelo Vasco era inabalável. "Pode chover até granizo; se o Vasco jogar, seja onde for, lá estarei", afirmou em 1959. O legado de Dulce é preservado no Centro de Memória do clube, onde registros e colunas que ela escreveu para o jornal Voz de São Januário estão disponíveis.

Além de sua atuação nas arquibancadas, Dulce era respeitada por jogadores e dirigentes, participando ativamente da vida do clube. Em 1980, uma festa celebrou seus 24 anos de liderança na TOV, com a presença de diretores e beneméritos.

Dulce também ficou famosa por sua ligação com os jogadores, incluindo o ex-meia Geovani, que relembrou como ela o apelidou de "Pequeno Príncipe" após um abraço caloroso. Sua popularidade cresceu tanto que, em 1960, foi eleita a maior torcedora do futebol brasileiro em um concurso da Revista do Esporte.

Um episódio marcante ocorreu quando os jogadores do Vasco se recusaram a jogar um clássico contra o Flamengo até que Dulce fosse liberada da prisão, onde havia sido detida por portar papel picado. O time só entrou em campo após sua soltura, vencendo o rival por 4 a 2.

O legado de Dulce Rosalina se estende além do futebol e será celebrado no Carnaval de 2027 pela G.R.E.S. União Cruzmaltina, que desenvolverá um enredo sobre sua vida e sua luta pela inclusão das mulheres no esporte.

Dulce faleceu em janeiro de 2004, mas sua memória permanece viva. Em homenagem, uma rua próxima a São Januário foi batizada com seu nome. "A história de um clube está nas pessoas que moldaram sua trajetória", concluiu Walmer Peres, Coordenador do Centro de Memória do Vasco.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original