Antes da partida contra o Flamengo, Hulk foi retirado da lista de jogadores do Atlético-MG. A situação pode ser resumida em uma sequência de eventos: o atleta chegou ao estádio com o time, foi ao vestiário, apareceu na escalação como reserva e, de forma abrupta, foi afastado do jogo, retornando para casa. Essa partida, em que o Atlético, como mandante, sofreu uma goleada de 4 a 0, deixou evidente a frieza com que pode ocorrer a despedida de um ídolo, independentemente de quem tenha tomado a decisão.

De acordo com o Atlético, a medida foi tomada em comum acordo, já que Hulk recebeu proposta de um clube brasileiro. Caso jogasse, ele ultrapassaria o limite de 12 partidas e não poderia atuar por outro time no campeonato.

A situação exige um tempo de reflexão para entender a dinâmica entre Hulk, seus representantes e a diretoria do Atlético. A relação entre o jogador e o clube vem se deteriorando gradualmente, especialmente desde o início do ano, quando Hulk manifestou insatisfação com a proposta de renovação e tentou se transferir para o Fluminense. Agora, o clube carioca está novamente interessado em sua contratação.

É incomum um jogador ser retirado de uma partida tão próximo do início, especialmente em um momento tão crítico. As decisões que envolvem transferências não surgem do nada e, na quinta-feira, Hulk já havia comentado sobre a possibilidade de deixar o clube, mencionando ter discutido o assunto com a diretoria.

As perguntas que surgem são: por que ele foi escalado para o jogo? Por que não foi afastado antes? E, se foi retirado, por que não permaneceu para apoiar o time? A situação gera constrangimento tanto para o jogador quanto para o clube.

Na melhor das hipóteses, essa confusão revela uma diretoria desorganizada; na pior, expõe um clube sem direção. A atuação do Atlético contra o Flamengo refletiu a ausência do ídolo, que, por sua vez, é consequência de problemas mais profundos, evidenciados por declarações de jogadores que denunciam a desconexão entre o vestiário e a diretoria.

O Atlético se encontra em uma situação delicada, próximo da zona de rebaixamento, acumulando três derrotas consecutivas no Brasileirão e sendo a equipe com mais derrotas na competição. A falta de desempenho em campo é visível, como demonstrado pela facilidade com que os atacantes do Flamengo penetraram na defesa atleticana.

A sensação de desânimo é palpável. Trocas de treinadores não têm surtido efeito, e o atual técnico, Eduardo Domínguez, cobra publicamente mais comprometimento e união do elenco, mas a situação não melhora. A diretoria, a comissão técnica e os jogadores tentam encontrar um caminho, mas um dia depois de uma reunião, o time sofre uma goleada em casa.

Por trás de todo esse cenário, está o insucesso dos primeiros anos do Atlético como Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Desde a mudança administrativa em julho de 2023, o clube tem enfrentado mais dificuldades do que progressos. A saída de Hulk, principal ídolo do elenco, é mais um indicativo da falta de confiança que permeia o ambiente.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original