Rui Costa, executivo de futebol do São Paulo, confirmou a demissão de Roger Machado, que chegou ao clube ciente de que sua permanência seria breve. Em seu curto período, o treinador comandou a equipe em 17 partidas, conquistando sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, sendo a mais impactante a eliminação na Copa do Brasil, com um resultado de 3 a 1 contra o Juventude, onde o desempenho foi insatisfatório.
Embora seja justo reconhecer que Roger não conseguiu extrair o melhor de um elenco que possui qualidade técnica, também é importante notar que sua gestão teve aspectos positivos, com a equipe figurando entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro.
Entretanto, a realidade é que qualquer treinador no São Paulo atualmente enfrentaria a mesma situação de demissão, pois o clube não oferece condições adequadas para o trabalho. A crise vai além da figura do técnico; ela está enraizada em problemas políticos e institucionais que o São Paulo enfrenta há anos. O cenário se agravou após 16 de janeiro de 2026, com o afastamento de Julio Casares, que trouxe mais dificuldades para a organização do clube e impediu melhorias necessárias em setores como o departamento médico e os centros de treinamento.
A crise financeira também é uma preocupação, como destacou o presidente em um áudio vazado recentemente, onde afirmou: “Não temos dinheiro”. O São Paulo enfrenta dificuldades para realizar investimentos significativos há um bom tempo. Para reverter essa situação, alguns caminhos podem ser considerados, como a adoção de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ou a implementação de estratégias semelhantes às adotadas por Palmeiras e Flamengo há 15 anos, como investimentos menores, programas de sócio-torcedor e foco na base.
O dilema é que o São Paulo não parece disposto a enfrentar um período de dificuldades. A torcida, assim como a diretoria, mantém altas expectativas, o que dificulta qualquer tentativa de reconstrução. Crespo, por exemplo, foi demitido após expressar a dura realidade de que é preferível lutar por uma pontuação segura do que arriscar-se em um ciclo de crises. A história do futebol brasileiro mostra que essa situação é recorrente, como foi o caso de André Jardine e Ricardo Gomes, que também foram demitidos em contextos semelhantes.
Atualmente, Dorival Júnior é visto como o próximo treinador a assumir o desafio, sendo considerado um dos melhores do mercado, com experiência em lidar com crises. No entanto, a verdadeira questão reside na falta de estabilidade política e na necessidade de uma estruturação sólida, algo que o clube já foi exemplo entre 2005 e 2010, mas que, infelizmente, parece distante nesse momento.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original