O Corinthians falhou em honrar o prazo estabelecido para o pagamento da parcela atrasada referente à CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), conforme havia prometido em documento protocolado no dia 16 de junho junto à CBF.

Com isso, o Cuiabá, que é o principal credor do Corinthians neste processo, manifestou-se nesta terça-feira solicitando a manutenção da proibição de transferências, além de multas e o bloqueio de receitas e/ou premiações que o clube paulista tenha a receber da CBF.

O Cuiabá destacou em seu documento que o Corinthians assumiu um compromisso processual específico com data definida, mas não cumpriu novamente. A sequência de eventos demonstra uma conduta que compromete a confiança em um plano coletivo, com o não cumprimento da obrigação original, um pedido unilateral de adiamento e o descumprimento da promessa de pagamento.

A dívida do Corinthians com o Cuiabá é avaliada em pouco mais de R$ 17 milhões, principalmente devido à compra do volante Raniele em janeiro de 2024. A diretoria do Corinthians, ao ser procurada, informou que ainda enfrenta dificuldades financeiras e não tem um prazo definido para resolver a situação.

O clube atravessa uma grave crise financeira, com um déficit de R$ 246 milhões registrado no primeiro semestre deste ano, e busca alternativas no mercado para solucionar suas pendências.

Em junho, antes do vencimento de uma das parcelas do plano de pagamento, o Corinthians já havia comunicado que enfrentava uma crise financeira, com dívidas superiores a R$ 170 milhões apenas em 2026. Naquela ocasião, o clube justificou que a paralisação do calendário do futebol brasileiro devido à Copa do Mundo afetou suas receitas com ingressos, patrocínios e mídias digitais.

O Corinthians havia solicitado à CNRD a possibilidade de pagar as parcelas de julho e outubro até 31 de agosto e, caso o transfer ban fosse aplicado, que a punição fosse revogada assim que o pagamento fosse realizado. No entanto, a Câmara não se manifestou e apenas impôs a proibição ao clube.

Atualmente, o Corinthians enfrenta um impedimento de registrar novos jogadores por seis meses e, até o momento, não conseguiu realizar vendas que gerassem novos recursos financeiros. O clube também está em atraso com o pagamento de direitos de imagem para os elencos masculino e feminino, além das premiações acordadas.

O Corinthians firmou um plano coletivo de pagamento à CNRD, homologado em abril do ano passado, totalizando R$ 76 milhões, com parcelas trimestrais a serem pagas ao longo de seis anos. Desses valores, 80% são destinados ao credor principal, enquanto 20% são para honorários advocatícios.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original