O Corinthians vive um dos seus piores momentos desde o rebaixamento de 2007, com a demissão do executivo Marcelo Paz e a contratação do técnico Clarence Seedorf, em meio a uma crise financeira, institucional e esportiva que se intensificou nos últimos meses.
Atualmente, o time acumula nove partidas sem vencer no Campeonato Brasileiro, encontrando-se apenas um ponto acima do Internacional, que ocupa a zona de rebaixamento. Além disso, o clube enfrenta atrasos nos salários, direitos de imagem e premiações, e está impossibilitado de contratar novos jogadores devido a três transfer bans.
Desde 2024, o Corinthians tem lidado com denúncias de irregularidades e instabilidade política, que culminaram no impeachment do ex-presidente Augusto Melo, substituído por Osmar Stabile em maio de 2025. Apesar de ter conquistado o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil em 2025, a queda de desempenho neste ano coincide com a deterioração da situação fora de campo.
A demissão de Marcelo Paz, que ocorreu após a contratação de Seedorf, reflete a insatisfação da torcida e a falta de confiança de parte do elenco. Jogadores expressaram descontentamento em relação à comunicação sobre os problemas financeiros e administrativos do clube, sentindo-se desprotegidos em meio a uma sequência negativa que começou em agosto.
O zagueiro Gabriel Paulista, em um desabafo, destacou que a falta de diálogo com o presidente Stabile tem afetado o desempenho da equipe. Os atrasos nos pagamentos ao elenco, que começaram em maio, têm se tornado uma constante, com salários sendo pagos com dias de atraso e dívidas acumuladas, incluindo premiações e direitos de imagem.
A crise financeira do Corinthians é grave, com um déficit de R$ 278 milhões nos primeiros sete meses do ano, muito acima do previsto. O clube ainda luta para honrar compromissos com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, correndo o risco de perder um desconto significativo em sua dívida total.
Além disso, a renovação do atacante Memphis Depay gerou polêmica, com ameaças ao presidente Stabile durante o processo de negociação. O clube também enfrenta três transfer bans devido a dívidas que somam R$ 21,5 milhões, o que impede novas contratações e deixa o elenco ainda mais curto.
A demissão do técnico Fernando Diniz, que ocorreu após uma sequência de derrotas, também reflete a pressão sobre a diretoria. O Corinthians, que não vence no Brasileirão há mais de dois meses, amarga eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores.
A contratação de Seedorf, que não treinava há sete anos, gerou críticas e divisões na diretoria, enquanto o clube enfrenta investigações que podem resultar em intervenção judicial e novos processos de impeachment.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original