O Vasco da Gama está enfrentando a oposição de diversos credores em sua tentativa de aprovar um novo plano coletivo de pagamento na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF. O clube propôs um limite de pagamento de R$ 10 milhões por ano até 2038, mas a proposta gerou críticas entre clubes e agentes do mercado.

Entre os credores que se manifestaram contra o plano estão Fluminense, Santos e Red Bull Bragantino, além da Link, representada pelo agente André Cury, que apresentou uma impugnação formal. Outras empresas de agenciamento, como OTB e Guadagno Sports, também se opuseram ao plano vascaíno.

Os credores questionam a transparência do Vasco em relação ao cumprimento do plano, a falta de garantias e a recente contratação de jogadores. Eles argumentam que o plano deve demonstrar viabilidade econômico-financeira e capacidade real de cumprimento, criticando o modelo proposto, que consideram um “incentivo à inadimplência”.

Um dos pontos levantados nas impugnações é a ausência de um prazo definido para a quitação das dívidas, o que foi descrito como “adimplemento indeterminado”. Além disso, a proposta prevê a atualização da dívida apenas pelo IPCA, sem juros, e limita os pagamentos a R$ 10 milhões anuais, sem garantias ou punições para eventuais inadimplementos.

Os advogados dos credores citam o Corinthians como um exemplo de como a CNRD deve aplicar sanções, como multas e bloqueios de receitas. Alguns credores sugerem que o prazo para pagamento seja reduzido pela metade e que haja mecanismos para acelerar os pagamentos, como a destinação de um percentual de premiações.

O Vasco, por sua vez, argumenta que sua proposta é parte de um processo de reestruturação financeira e que busca evitar soluções que comprometam sua capacidade de cumprir as obrigações. O clube alega que está em fase avançada de reestruturação e que a proposta é parte de um contexto mais amplo de recuperação judicial.

Na manifestação enviada à CNRD, o Vasco defende que sua política de contratações respeita os limites orçamentários e que as despesas são essenciais para a manutenção das atividades esportivas e geração de receitas. A viabilidade do plano, segundo o clube, já foi analisada no âmbito da recuperação judicial.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original