O Corinthians está em vias de substituir a empresa responsável pela venda de ingressos para os jogos na Neo Química Arena, ciente de que isso pode gerar uma disputa judicial. O clube está em negociações avançadas com a Fever para que ela se torne a nova tiqueteira, em substituição à One Fan, que já anunciou a intenção de recorrer à Justiça para fazer valer seu contrato, que se estende até 2032.
A diretoria do Corinthians justifica a mudança com a alegação de que a One Fan não tem prestado um serviço adequado, além da busca por condições financeiras mais vantajosas. O clube também precisa de recursos imediatos para quitar dívidas, como os três meses de direitos de imagem em atraso do elenco masculino. A Fever, segundo os dirigentes, ofereceria taxas menores e um pagamento antecipado de aproximadamente R$ 50 milhões, que incluiria luvas, patrocínio e parte do adiantamento.
Como o mandato do presidente Osmar Stabile se encerra este ano, a diretoria pretende assinar um memorando de entendimentos (MoU) que formaliza a intenção de fechar um contrato definitivo em 2027, já sob a nova gestão. A expectativa era que essa assinatura ocorresse na última sexta-feira, mas o presidente decidiu adiar a decisão para refletir mais sobre o assunto.
A necessidade de recursos é urgente, uma vez que o clube enfrenta dificuldades financeiras para honrar compromissos como férias, prêmios atrasados e o 13º salário. O contrato definitivo com a Fever incluirá detalhes como a visibilidade da marca no uniforme do Corinthians e outros aspectos de divulgação. Caso o contrato não seja assinado em 2027, o clube terá que devolver os R$ 50 milhões, acrescidos de 10%.
A gestão de Osmar Stabile já tentava substituir a One Fan, que foi contratada em 2022, e analisou propostas de outras empresas como Ticketmaster e Ingresse. A Ticketmaster, que era a preferida, desistiu após a divulgação de detalhes das propostas, mas reabriu as conversas posteriormente. A escolha pela Fever se deu, segundo a diretoria, por oferecer as melhores condições financeiras.
A troca foi facilitada pela demissão do ex-diretor de Tecnologia, Marcelo Munhões, que era contra a mudança, acreditando que poderia prejudicar a qualidade do serviço. O Corinthians enviou notificações à One Fan sobre a insatisfação com os serviços prestados, o que foi interpretado pela empresa como um sinal de que o clube estava se preparando para a rescisão do contrato. Ao tomar conhecimento do acordo com a Fever pela imprensa, a One Fan notificou o Corinthians para que não rescindisse o contrato, alegando irregularidades e ameaçando ações judiciais.
A One Fan, que gerencia a bilheteira, o Fiel Torcedor e o aplicativo Universo SCCP, tem direito a 20% da arrecadação bruta do Fiel Torcedor, 30% dos produtos digitais do Universo SCCP e 6% da bilheteira. Entretanto, o contrato não garante à empresa lucro com os planos Minha Cadeira, Minha Torcida e camarotes. Existe também a possibilidade de a Fever assumir o controle de acesso da Arena, atualmente sob responsabilidade da Ligatech, com uma cláusula de rescisão que prevê o pagamento apenas dos equipamentos instalados, estimados em R$ 500 mil.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original