A questão da dívida do Corinthians referente à construção da Neo Química Arena voltou a ser discutida, especialmente em meio à crescente preocupação financeira do clube. Segundo informações da diretoria, considerando a correção monetária, o valor total da dívida chega a R$ 1,246 bilhão. No entanto, o montante efetivamente pago gira em torno de R$ 600 milhões.
A quantia de R$ 1,246 bilhão foi calculada com base na taxa CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 2%, índice utilizado pela Caixa Econômica Federal para a atualização da dívida do clube, que se originou do financiamento para a construção do estádio, inaugurado em 2014. Em contraste, normalmente as correções são feitas com base em índices de inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2022, o IPCA foi de 4,26%, enquanto o CDI alcançou 14,3%.
Sem considerar a correção, a diretoria estima que o Corinthians desembolsou aproximadamente R$ 600 milhões ao longo dos anos, embora esse dado não esteja documentado em registros públicos. De acordo com o balanço financeiro mais recente, o saldo devedor era de R$ 642 milhões em 31 de dezembro de 2025.
Os valores pagos pelo Corinthians à Caixa pela Arena sempre foram um mistério, devido à falta de transparência nas informações. O último balanço revelou que o clube pagou R$ 224,426 milhões em 2024 e 2025, além de cerca de R$ 85 milhões em 2023. Com a contribuição de R$ 40,9 milhões da torcida organizada Gaviões da Fiel, o total pago nos últimos três anos soma R$ 350,3 milhões.
Em 2022, o então diretor financeiro Wesley Melo afirmou que o Corinthians havia pago R$ 165 milhões até 2017. Em 2026, o clube já havia quitado as duas primeiras parcelas trimestrais, totalizando R$ 56 milhões, restando ainda R$ 56 milhões a serem pagos nas próximas prestações deste ano, além de R$ 27 milhões depositados em conta de reserva.
Após anos de inadimplência, o Corinthians renegociou sua dívida em outubro de 2022, estabelecendo um novo contrato que prevê o prazo de pagamento até dezembro de 2041, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros de 2% ao ano, acrescidos da variação do CDI. Desde 2023, o clube vem pagando apenas juros, começando a reduzir o saldo da dívida em 2025.
O presidente Osmar Stabile destacou que a dívida da Arena é um dos principais fatores da grave crise financeira enfrentada pelo clube, que possui um endividamento total de R$ 2,723 bilhões, conforme o balanço do ano passado. Em depoimento no inquérito do Ministério Público sobre uma possível intervenção judicial, Stabile mencionou a necessidade de resolver a dívida com a Caixa para melhorar a situação financeira do Corinthians.
Em um momento anterior, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu que o clube parasse de pagar a dívida com a Caixa para priorizar outras pendências, o que levou o banco a considerar uma renegociação, mas sem resultados até então. A diretoria do Corinthians, por sua vez, descartou a possibilidade de não pagar a dívida, mesmo diante da crise financeira.
A construção da Arena custou R$ 985 milhões, conforme a Odebrecht, responsável pela obra. O Corinthians financiou parte desse valor com R$ 400 milhões, montante que cresceu ao longo dos anos devido à inadimplência e aos juros, além de ter utilizado Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs), que são incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo para obras na Zona Leste, em contrapartida aos benefícios econômicos gerados pelo estádio e pela Copa do Mundo de 2014.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original