O Corinthians chegou a um acordo com a Caixa Econômica Federal para suspender por um ano os pagamentos relacionados à dívida da Neo Química Arena. Durante esse período, o banco também deixará de reter valores da bilheteira dos jogos e parte das premiações de competições.
A negociação, que envolve uma dívida de R$ 630 milhões em troca dos naming rights do estádio e outros produtos comerciais, foi conduzida pelo presidente Osmar Stabile. A suspensão dos pagamentos permitirá ao clube maior liberdade no fluxo financeiro, especialmente considerando que a bilheteira é uma das principais fontes de receita, devido à constante lotação da Arena.
Desde maio, a atual gestão tem enfrentado dificuldades financeiras, com atrasos em salários e outros pagamentos. O Corinthians deve valores referentes às premiações da Conmebol Libertadores e do Campeonato Brasileiro, além de dois meses de direitos de imagem ao elenco masculino.
Recentemente, o clube e a Caixa realizaram uma série de reuniões, a última delas em Brasília, que contou com a presença de representantes da torcida organizada Gaviões da Fiel. Após o encontro, foi divulgada uma nota conjunta, na qual a Caixa reconheceu publicamente as negociações em andamento.
A nota afirmava que a Caixa e o Corinthians avançaram nas conversas para avaliar alternativas que melhorem a relação entre as partes e que um termo de confidencialidade foi assinado.
Vale ressaltar que a suspensão dos pagamentos e a devolução de parte do dinheiro depositado em uma conta reserva, que já foi utilizada para quitar salários atrasados, não significam a quitação da dívida do estádio nem um acordo definitivo sobre os naming rights.
A diretoria do Corinthians vê esses desenvolvimentos como sinais positivos da disposição da Caixa para buscar uma solução, embora ainda não haja uma data definida para a conclusão das negociações.
Desde a inauguração da Arena em 2014, o Corinthians já pagou cerca de R$ 600 milhões do financiamento da construção. O contrato de renegociação, firmado na gestão do ex-presidente Duílio Monteiro Alves, estipula o pagamento da dívida até dezembro de 2041, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros a serem pagos desde 2023.
Nos bastidores, o presidente Stabile tem destacado que a dívida da Arena é um dos principais fatores que contribuem para a grave crise financeira do clube, que possui um endividamento total estimado em R$ 2,8 bilhões.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original