O Corinthians efetuou um pagamento de R$ 224,426 milhões em 2025, destinado à amortização da dívida com a Caixa Econômica Federal, referente ao financiamento da construção da Neo Química Arena.
Uma iniciativa da torcida organizada Gaviões da Fiel arrecadou R$ 40,977 milhões para auxiliar na quitação da dívida. Além disso, foram realizados repasses operacionais de R$ 896 mil a uma empresa e a um fundo relacionados à gestão financeira da dívida. O total movimentado chegou a R$ 266,299 milhões.
Essas informações foram apresentadas no balanço financeiro da gestão de Osmar Stabile, que recebeu aprovação com ressalvas do Conselho de Orientação (Cori) e será submetido à votação do Conselho Deliberativo na próxima segunda-feira.
De acordo com as demonstrações financeiras, a dívida com a Caixa era de R$ 642 milhões em 31 de dezembro de 2025, valor que integra a dívida bruta total do Corinthians, estimada em R$ 2,723 bilhões. Os R$ 224,4 milhões pagos à Caixa referem-se às parcelas trimestrais de juros e amortização do contrato de financiamento.
Os pagamentos são garantidos por ativos como 100% dos naming rights da arena, 55% da receita bruta da bilheteria, 50% de premiações em caso de títulos, 30% da venda de jogadores do futebol masculino e, em caso de inadimplência, receitas de direitos de transmissão.
O contrato também estabelece a criação de uma conta reserva, com um depósito equivalente a quatro parcelas trimestrais do financiamento. Duas áreas do Parque São Jorge são oferecidas como garantias, além da participação em ações e cotas de fundos relacionados à Arena, e contas do clube.
A renegociação do financiamento, realizada em 2022 durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, determina que a dívida deve ser quitada até dezembro de 2041, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros a partir de 2023, com taxa de 2% ao ano mais a variação do CDI, atualmente em 14,65% ao ano.
A dívida da Arena é uma das principais preocupações da atual administração, que busca renegociar os termos com a Caixa. Entretanto, essa renegociação não é mencionada no relatório de gestão enviado aos conselheiros, onde apenas são apresentados dados sobre a importância do estádio.
Em 2025, a Arena gerou R$ 115 milhões em bilheteira e R$ 217 milhões em receita total. O estádio recebeu 38 partidas do time masculino, com uma média de 41.840 torcedores por jogo e uma renda média de R$ 3 milhões, representando um aumento de 20% em relação a 2024.
A operação da Neo Química Arena tem apresentado resultados operacionais positivos desde seu início, conforme os controles gerenciais do clube. A diretoria destacou que, com a atual estrutura de receitas, impulsionada pelo aumento de áreas comerciais e pelo crescimento do público, as condições para o cumprimento do fluxo de pagamento do financiamento são adequadas.
No entanto, a gestão de Stabile observou que o fundo responsável pela dívida com a Caixa não apresentou demonstrações financeiras de 2024 e 2025 devido à troca de administradoras, resultante da liquidação extrajudicial da Reag/Arandu em janeiro de 2026, decretada pelo Banco Central por violações das normas financeiras. Em abril, o Corinthians anunciou que a Asarock Asset Management assumiu a gestão dos fundos e a Genial Investimentos CTVM ficou responsável pela administração fiduciária.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original