O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento investigatório criminal (PIC) para investigar possíveis irregularidades na relação comercial entre o Corinthians e a empresa Incentiva Serviços Combinados Tecnologia e Marketing, responsável pelo programa Fiel da Sorte. O clube admitiu que não tinha controle sobre os serviços prestados pela empresa, apesar de ter pago mais de R$ 6,9 milhões entre agosto de 2023 e abril de 2024.

O promotor Cássio Conserino, que está à frente da apuração, destacou que, mesmo sem o controle adequado, o Corinthians continuou a realizar os pagamentos mensais. A investigação busca esclarecer se houve devolução de valores a dirigentes ou colaboradores do clube, o que poderia configurar desvio de dinheiro.

O Corinthians lançou o Fiel da Sorte em junho de 2023, prometendo sorteios semanais de prêmios e experiências aos membros do programa Fiel Torcedor. Contudo, a promoção perdeu visibilidade e não houve mais publicações oficiais desde abril de 2024, embora os pagamentos à Incentiva continuassem.

A empresa, que tem o Corinthians como único cliente e um capital social de apenas R$ 50 mil, viu os valores das parcelas crescerem significativamente desde o início do contrato. Em abril de 2026, o clube solicitou a rescisão do contrato, alegando descumprimento de obrigações por parte da Incentiva, e reivindica uma indenização de R$ 3 milhões.

A Incentiva, que passou por diversas mudanças de sócios ao longo dos anos, afirmou que não foi notificada sobre a rescisão do contrato e que a campanha continuou operacional até o final de maio de 2026. O clube, por sua vez, investiga quais serviços deixaram de ser prestados e desde quando isso ocorreu.

O contrato estabelecia que a Incentiva receberia R$ 3,75 por mês por cada novo associado ao Fiel Torcedor, independentemente da categoria. Apesar de ter dívidas com outros fornecedores, o Corinthians manteve os pagamentos à Incentiva até abril deste ano.

A atual diretoria do Corinthians, sob a presidência de Osmar Stabile, também se manifestou sobre o caso, afirmando que a rescisão foi motivada pelo descumprimento contratual da empresa parceira.

Além das apurações internas, o Corinthians estuda solicitar uma perícia judicial para determinar os valores a serem ressarcidos. O clube retirou todas as referências ao Fiel da Sorte de seus materiais e do aplicativo Universo SCCP após a rescisão do contrato.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original