O Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians aprovou, com ressalvas, as contas do clube referentes ao ano de 2025, em reunião realizada na última quarta-feira. O balanço financeiro, que revela um déficit de R$ 143,441 milhões, será submetido à votação do Conselho Deliberativo na próxima segunda-feira.

A análise do balanço, apresentado pela gestão de Osmar Stabile, foi aprovada com ressalvas, conforme informações inicialmente divulgadas pelo site Central do Timão e confirmadas pelo ge. O parecer final, que incluirá os apontamentos do Cori, será enviado ao Conselho Deliberativo, responsável pela aprovação das contas.

Um dos principais questionamentos levantados pelos conselheiros foi a inclusão da transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) no exercício de 2025, uma vez que a assinatura do acordo ocorreu apenas neste ano. A renegociação da dívida de R$ 1,2 bilhão com a União, reduzida para R$ 679 milhões após um desconto de 46,6%, resultou em uma diminuição de R$ 217,428 milhões na dívida bruta total do Corinthians, que encerrou dezembro com R$ 2,723 bilhões, abaixo dos R$ 2,8 bilhões registrados em novembro. Essa questão é uma das ressalvas apontadas pela auditoria independente que analisou as contas do clube.

O relatório da auditoria destaca que a assinatura do acordo ocorreu em 2026. Os auditores afirmam que, como resultado, o saldo de impostos parcelados no passivo está subavaliado, enquanto o patrimônio líquido e o resultado do exercício estão superavaliados em R$ 593,299 milhões.

Além disso, o relatório também menciona que os dados financeiros preocupantes levantam dúvidas sobre a capacidade de continuidade operacional do Corinthians. Os auditores ressaltam que o restabelecimento da rentabilidade do clube e a recuperação do patrimônio líquido dependem da implementação bem-sucedida das ações estratégicas e de governança mencionadas na nota explicativa do relatório.

A gestão de Stabile defende que os efeitos da transação tributária devem ser integralmente reconhecidos nas demonstrações financeiras de 2025, apresentando uma defesa técnica contábil com o apoio de um parecer jurídico de um escritório externo. A diretoria argumenta que, embora a assinatura tenha ocorrido em 2026, o acordo foi estabelecido no final do ano anterior, com documentos que comprovam a redução dos débitos.

Os números de 2025 refletem cinco meses da administração do ex-presidente Augusto Melo, que sofreu impeachment, e sete meses sob a gestão de Stabile, que assumiu a presidência de forma provisória em 26 de maio e, posteriormente, de maneira definitiva a partir de 27 de agosto.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original