O Palmeiras tem se destacado na formação de atletas, priorizando o desenvolvimento individual em vez da vitória a qualquer custo. Essa abordagem é refletida nas recentes decisões do clube, como a proibição de vídeos nas preleções para jogadores até 16 anos e a restrição de celulares no centro de treinamento da base.

João Paulo Sampaio, coordenador da base, revelou que, há três meses, não há analista de desempenho para as categorias sub-16 e abaixo. Ele enfatizou a importância de os jovens jogadores entenderem as orientações do treinador através de discussões e ilustrações em pranchetas, ao invés de depender de vídeos.

Além disso, o clube inaugurou uma área de leitura em homenagem ao técnico Abel Ferreira, incentivando os atletas a se envolverem em atividades como dominó e ping pong. Sampaio compartilhou um exemplo positivo: o capitão do sub-17, Yago, pediu cópias de um livro para compartilhar com os colegas, mostrando o interesse em promover discussões e aprendizado.

Essas iniciativas visam estimular a capacidade de interpretação e a tomada de decisões dos jovens jogadores, com o objetivo de formar atletas mais completos. Sampaio criticou a falta de uma visão clara no futebol brasileiro, afirmando que a preocupação excessiva em vencer pode prejudicar a formação dos atletas.

Ele destacou que o Palmeiras adota uma abordagem diferente, tratando a base como uma escola, onde os jogadores são desafiados e expostos a situações que aceleram seu aprendizado, mesmo que isso signifique perder jogos em competições importantes.

Na formação técnica, os jovens aprendem a desempenhar múltiplas funções em campo, um método que já foi aplicado a jogadores como Gabriel Menino e Danilo. Sampaio também mencionou que jogadores identificados como camisas 10 são incentivados a enfrentar desafios em posições centrais, ao invés de serem protegidos nas laterais.

Atualmente, seis dos 27 atletas do elenco principal do Palmeiras são oriundos da base, com outros jogadores emprestados que também têm potencial para integrar a Seleção. O coordenador acredita que, sem um projeto nacional que estabeleça objetivos claros, o futebol brasileiro continuará enfrentando dificuldades na formação de novos talentos.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original