O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou o balanço financeiro referente ao exercício de 2025 em duas ocasiões. As consequências dessa decisão não são totalmente claras do ponto de vista estatutário e apresentam incertezas em um contexto mais amplo. A principal repercussão pode recair sobre o ex-presidente Julio Casares, que enfrenta a possibilidade de um pedido de expulsão do quadro associativo, uma vez que ele renunciou antes do processo de impeachment e, portanto, mantém seus direitos políticos.
Um relatório de auditoria sobre o balanço revelou que R$ 7 milhões foram retirados pelo ex-presidente sob a justificativa de “despesas promocionais”, sem explicações adicionais. Casares se defendeu em comunicado, afirmando que o valor não foi solicitado, destinado ou utilizado por ele.
O caso pode ser tratado internamente ou judicialmente, exigindo que Casares comprove os gastos, sob risco de ter que ressarcir o clube. O diretor financeiro, Sérgio Pimenta, foi questionado sobre a destinação desses valores. A maior preocupação do atual presidente, Harry Massis, é que a reprovação do balanço possa comprometer linhas de crédito do clube.
Especialistas consultados pelo ge destacaram que a reprovação indica que os conselheiros identificaram discrepâncias entre o que foi orçado e o que foi gasto, refletindo uma administração potencialmente inadequada. Isso pode afastar investidores e dificultar negócios com o clube. Por outro lado, a reprovação do balanço pode ser vista como um ato responsável do Conselho, que demonstra preocupação com a transparência das informações financeiras.
Outra preocupação da atual gestão é a possível exclusão do Profut, programa que visa melhorar a gestão financeira dos clubes. Contudo, uma reprovação de balanço, por si só, não é suficiente para caracterizar uma gestão irresponsável. Segundo os especialistas, existem alternativas de parcelamento mais vantajosas atualmente.
Apesar da reprovação, o balanço revelou resultados positivos em termos de receitas, que superaram as previsões. O clube esperava arrecadar R$ 858 milhões, mas alcançou R$ 1,085 bilhão, com destaque para o futebol profissional, que gerou R$ 835 milhões, superando os R$ 694 milhões previstos.
As despesas também ultrapassaram as expectativas, passando de R$ 729 milhões para R$ 902 milhões. O superávit final foi de R$ 56 milhões, com uma redução da dívida do clube em R$ 110 milhões.
As receitas do futebol profissional se dividiram da seguinte forma: negociações de atletas (previsto: R$ 154,8 milhões, realizado: R$ 283,7 milhões), direitos de transmissão e premiações (previsto: R$ 279,4 milhões, realizado: R$ 245 milhões), publicidade e patrocínio (previsto: R$ 97,5 milhões, realizado: R$ 121,3 milhões), sócio torcedor (previsto: R$ 43 milhões, realizado: R$ 56,2 milhões), arrecadação de jogos (previsto: R$ 96,1 milhões, realizado: R$ 64,1 milhões) e licenciamento de marca/outros (realizado: R$ 32,5 milhões).
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original