O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube deu início, nesta quarta-feira, à votação das punições para Mara Casares e Douglas Schwartzmann, envolvidos em um esquema de exploração clandestina do camarote do Morumbi. A reunião extraordinária começou às 18h30 e inclui a apresentação do relatório da Comissão de Ética, que recomendou a expulsão dos dois do quadro de sócios.
O documento, enviado aos conselheiros, classifica a conduta de Casares e Schwartzmann como "prática de gestão irregular e temerária". A votação será realizada de forma online, com início previsto para às 22h e término na quinta-feira, às 17h. Entre as possíveis punições estão a eliminação do quadro associativo, perda de mandato, suspensões e obrigações de reparação ao clube.
De acordo com o Artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo, sócios que cometem infrações estão sujeitos a penalidades que variam de advertência a eliminação. A gravidade da conduta será determinante para a definição das punições. O Regimento Interno do clube prevê que causar dano à imagem do SPFC pode resultar em suspensão de 90 a 270 dias, com aumento da penalidade caso o associado ocupe cargo de poder no clube.
O caso ganhou notoriedade em dezembro do ano passado, quando uma reportagem revelou um esquema de comercialização clandestina de camarotes durante shows no Morumbi, envolvendo Mara Casares, ex-esposa do ex-presidente Julio Casares, e Douglas Schwartzmann, que na época era diretor adjunto de base. Em gravações obtidas, ambos admitem participação no esquema, que ocorreu durante o show da cantora Shakira, em fevereiro do ano passado.
A investigação sobre a exploração clandestina de camarotes no Morumbi está em andamento, liderada por uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público. O camarote em questão, identificado como 3A, foi utilizado de maneira irregular, sem autorização formal, e sua exploração comercial não seguiu os procedimentos internos do clube.
O relatório da Comissão de Ética concluiu que, além de Mara Casares e Douglas Schwartzmann, outros dirigentes podem ser responsabilizados por omissões, como o diretor de marketing Eduardo Toni, que pode enfrentar punições mais leves. Ambos os envolvidos, no entanto, negam ter obtido ganhos financeiros com o esquema e apresentaram versões distintas sobre a utilização do espaço.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original